Um novo estudo, apresentado no Reino Unido em 26 de julho de 2026, sugere que possíveis evidências de vida extraterrestre podem estar ocultas em uma região pouco explorada do espectro de rádio. Pesquisadores apontam para faixas que foram negligenciadas em buscas anteriores.
Esta investigação representa a primeira vez que o observatório ALMA, um complexo de antenas localizado no deserto do Atacama, no Chile, foi empregado na procura por sinais de inteligência alienígena.
A equipe de astrônomos optou por não realizar novas observações, focando-se na análise de informações já existentes, originalmente compiladas para finalidades distintas de pesquisa espacial.
Historicamente, a maioria dos esforços de busca por vida fora da Terra concentra-se em uma faixa de rádio específica, conhecida por seu “silêncio”, situada entre as frequências naturais do hidrogênio e da hidroxila — elementos que, combinados, geram a molécula de água.
Por essa razão, a comunidade científica presume que essa faixa representa um canal de comunicação estratégico para civilizações avançadas tentarem estabelecer contato.
Como funcionam as frequências de rádio usadas na busca por sinais
Esses “canais” referem-se a distintas bandas de frequência empregadas para a transmissão de ondas de rádio, comparáveis às estações de um rádio convencional. Pesquisadores direcionam sua atenção a segmentos específicos do espectro, considerando que civilizações distantes poderiam selecionar essas mesmas faixas para emitir mensagens.
No entanto, o estudo mais recente direcionou a busca para frequências mais elevadas e pouco exploradas, expandindo a investigação para uma porção do espectro que havia sido negligenciada pela comunidade científica até então.
Os cientistas procuraram por transmissões altamente concentradas em bandas de frequência diminutas, que poderiam indicar uma origem tecnológica e seriam improváveis de serem atribuídas a fenômenos naturais.
Importante notar que nenhuma transmissão que pudesse ser classificada como um sinal potencial foi detectada nas quatro observações que foram examinadas.
Este achado, entretanto, não exclui a possibilidade da existência de vida inteligente fora da Terra. Apenas indica que nenhuma transmissão foi identificada dentro das faixas estreitas e áreas específicas analisadas.
“Por várias décadas, as pesquisas por inteligência extraterrestre focaram em uma seção limitada do espectro de rádio”, afirmou Louisa Mason, doutoranda em astronomia na Universidade de Manchester e principal autora do estudo. “Nossa intenção era descobrir os resultados ao investigarmos uma região completamente distinta.”
A investigação revelou ainda que uma única observação pode cobrir um número significativamente maior de estrelas do que se estimava anteriormente.
Aplicando um modelo da Via Láctea a dados de um levantamento prévio, a quantidade de estrelas dentro do alcance das antenas saltou de aproximadamente 288 mil para mais de 6,1 milhões.
Esse aumento ocorre porque, mesmo quando um telescópio é direcionado a um ponto específico, ele capta simultaneamente várias outras estrelas localizadas na mesma porção do firmamento.
Algumas dessas estrelas são remotas, possuem brilho reduzido ou são de difícil identificação nos catálogos estelares atuais, o que as leva a serem frequentemente excluídas das contagens convencionais.
Através do modelo da galáxia, a pesquisadora conseguiu calcular a existência dessa população menos visível. Isso sugere que investigações passadas podem ter abrangido uma área muito mais vasta da Via Láctea do que se supunha.
Consequentemente, os pesquisadores concluem que observatórios equipados para detectar frequências elevadas têm o potencial de expandir significativamente a busca por sinais de outras civilizações.
Adicionalmente, dados astronômicos preexistentes, mesmo aqueles reunidos inicialmente para diferentes propósitos, podem ser reavaliados na tentativa de localizar possíveis transmissões de origem artificial.
