Pesquisadores divulgaram o maior mapa bidimensional já compilado do universo, revelando quase 4 bilhões de objetos cósmicos. A impressionante representação abrange aproximadamente três quartos do céu e foi desenvolvida pela equipe Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) Legacy Imaging Surveys, marcando um avanço significativo na astronomia. Este trabalho oferece uma nova perspectiva sobre a estrutura e a composição do cosmos, consolidando anos de observações.
A complexa criação do mapa cósmico mais abrangente
A equipe DESI Legacy Imaging Surveys foi a responsável por essa vasta cartografia do universo, resultado de um esforço de 13 anos de observações e complexo processamento de dados. O projeto combinou mais de 263 mil exposições de telescópios, abrangendo comprimentos de onda visíveis e no infravermelho próximo. Isso permitiu a formação de um retrato extenso de estrelas, galáxias e diversos fenômenos cósmicos por toda a abóbada celeste.
- Tamanho total: 5.6 trilhões de pixels.
- Objetos mapeados: Quase 4 bilhões de estrelas, galáxias e outros fenômenos cósmicos.
- Cobertura celestial: Aproximadamente três quartos do céu.
Entendendo a atuação do DESI na exploração tridimensional
As pesquisas de imagem da Legacy Imaging Surveys foram concebidas inicialmente para orientar o instrumento DESI, determinando os pontos exatos para onde seus milhares de fibras ópticas robóticas deveriam ser direcionadas. Essa etapa é crucial para a criação de uma fundação 2D, que, posteriormente, apoia o esforço maior do DESI para mapear o universo em três dimensões.
O DESI, instalado no Telescópio Nicholas U. Mayall, localizado no Observatório Nacional Kitt Peak, no Arizona, é encarregado de medir os espectros de galáxias e quasares. Ao calcular o desvio para o vermelho — ou seja, o quanto a luz desses objetos foi esticada devido à expansão do universo — os astrônomos podem determinar suas distâncias e, assim, transformar uma visão plana do céu em um mapa tridimensional do cosmos. David Schlegel, co-líder das Legacy Surveys e cientista do Lawrence Berkeley National Laboratory, disse que o mapa já é “parte do tecido da pesquisa astronômica”.
O desafio da energia escura e a expansão do universo
O DESI iniciou sua pesquisa principal em 2021 com o propósito de traçar a história da expansão do universo ao longo de bilhões de anos. O objetivo central é aprofundar a compreensão da energia escura, o fenômeno misterioso que se acredita impulsionar essa expansão.
Desde seu início, o projeto já superou suas metas originais. Até abril de 2026, o DESI já havia mapeado mais de 47 milhões de galáxias e quasares, consolidando o maior mapa 3D de alta resolução do universo até o momento. Resultados prévios do DESI já apresentaram indícios intrigantes de que a energia escura pode não ser constante ao longo do tempo, sugerindo que ela pode evoluir, ao contrário do que prevê o modelo cosmológico padrão.
Contribuições e o futuro da pesquisa astronômica
O novo mapa criado pelas Legacy Imaging Surveys terá aplicações significativas que vão além dos objetivos do DESI. Versões anteriores desses conjuntos de dados já foram citadas em mais de 1.800 artigos científicos, o que demonstra o impacto e a relevância dessas observações para a comunidade acadêmica.
A versão mais recente do mapa tem o potencial de auxiliar astrônomos na busca por objetos e fenômenos raros, no estudo da evolução das galáxias e no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Essas ferramentas serão fundamentais para analisar os vastos volumes de dados esperados dos observatórios da próxima geração. Arjun Dey, também co-líder das Legacy Imaging Surveys e astrônomo do NSF NOIRLab, afirmou que esses dados são essenciais para investigar a história da expansão do universo e a formação de nossa própria galáxia. Ele acrescentou que “os céus pertencem a todos”, oferecendo a todos a oportunidade de se maravilhar com suas belezas.
