Tabuletas de 2.700 anos comprovam existência de reis assírios omitidos da história

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Tabuletas cuneiformes - Dave Primov / Shutterstock.com Foto: Tabuletas cuneiformes - Dave Primov / Shutterstock.com

Uma nova análise de artefatos antigos está reescrevendo a compreensão sobre a monarquia assíria, com a proposta de que três reis, supostamente esquecidos, realmente governaram o Império Assírio há aproximadamente 2.700 anos. As evidências emergiram a partir de tabuletas cuneiformes e estelas, questionando a confiabilidade da Lista Real Assíria, um documento-chave para a cronologia da Mesopotâmia.

Descoberta de registros confirma a presença de governantes “apagados”

A pesquisa aponta para a existência de Tiglath-pileser, que teria governado entre 763 e 762 a.C., Salmaneser, anterior a 745 a.C., e Assur-uballit, com reinado entre 913 e 912 a.C. Esses nomes haviam sido omitidos da Lista Real Assíria, um artefato crucial para os historiadores. A confirmação da existência desses monarcas é sustentada por uma tabuleta conservada no Museu Britânico e uma estela encontrada em Tell Abta, na qual o nome de um governante foi raspado e depois regravado.

A tabuleta do Museu Britânico, por exemplo, contém referências que, uma vez decifradas e correlacionadas, indicam a atuação de Tiglath-pileser. A estela de Tell Abta, por sua vez, apresenta um registro que sugere uma alteração deliberada, onde um nome foi suprimido e substituído, prática comum em contextos de transição ou disputa de poder.

Tabuletas cuneiformes - Dave Primov / Shutterstock.com
Tabuletas cuneiformes – Dave Primov / Shutterstock.com

Quem eram os monarcas que tiveram seus reinados esquecidos

Os reis em questão, Tiglath-pileser, Salmaneser e Assur-uballit, inserem-se em períodos críticos da história assíria. Tiglath-pileser teria reinado em um momento de instabilidade, possivelmente devido a crises internas ou conflitos regionais que podem ter culminado em sua exclusão dos registros oficiais. Salmaneser teria sido um predecessor de governantes mais conhecidos, cujo impacto pode ter sido minimizado ou apagado por seus sucessores. Assur-uballit, por sua vez, data de um período anterior, contribuindo para a reconstrução de uma fase menos documentada do império.

A existência desses três reis sugere uma complexidade maior na linha sucessória e na governança da Assíria antiga. Os pesquisadores buscam entender as razões específicas para cada exclusão, considerando que cada caso pode ter suas particularidades políticas e históricas.

A Lista Real Assíria como instrumento de propaganda política

Historicamente, a Lista Real Assíria era mais do que um simples registro cronológico; ela funcionava como um documento propagandístico que legitimava a linhagem dos monarcas e a estabilidade do império. Omitir certos governantes da lista não era um descuido, mas uma ação política deliberada. Remover reis derrotados ou que representavam períodos de fragilidade era uma forma de controlar a narrativa histórica, reforçando a imagem de um poder inabalável e uma sucessão contínua de governantes fortes.

Essa prática de reescrever ou apagar a história, manipulando registros para servir a agendas políticas, não é exclusiva da Assíria antiga. Em diversas culturas e épocas, governantes e regimes buscaram eliminar vestígios de seus antecessores ou adversários para consolidar sua própria autoridade e moldar a memória coletiva. A descoberta desses reis assírios esquecidos ilustra como a história oficial, mesmo na antiguidade, podia ser uma construção política, e não um relato imparcial dos fatos.

Impactos da nova descoberta na cronologia do império

A confirmação da existência desses três reis assírios exige uma revisão da cronologia e da compreensão dos períodos em que atuaram. Isso pode levar a uma reinterpretação de eventos, alianças e conflitos da época, oferecendo uma visão mais precisa das dinâmicas políticas da Mesopotâmia. Arqueólogos e historiadores agora precisam ajustar suas tabelas de datas e eventos, integrando esses novos nomes ao panteão dos governantes assírios.

A análise aprofundada das tabuletas e estelas, em conjunto com outros achados arqueológicos, pode revelar informações adicionais sobre os reinados desses reis. Essa reconfiguração do passado assírio enfatiza a importância da contínua pesquisa e da reavaliação crítica das fontes históricas, mesmo as que são consideradas fundamentais há séculos. Novas tecnologias de análise e a dedicação dos pesquisadores permitem trazer à luz verdades que foram intencionalmente obscurecidas por milênios.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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