Ação da metformina em células mostra indícios de interferência no envelhecimento

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Medicamento oral Foto: Medicamento oral - foto: Moussa81/istock

Um medicamento amplamente utilizado no controle do diabetes tipo 2, a metformina, tem sido objeto de investigações sobre potenciais efeitos que vão além da sua função glicêmica. Uma revisão científica recente, divulgada em 10 de agosto na revista Aging, aponta que o fármaco pode atuar em processos celulares associados ao envelhecimento.

Considerada um tratamento de primeira linha para o diabetes e presente na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS) por décadas, a metformina tem sua segurança amplamente estabelecida. Nos últimos anos, pesquisas têm explorado como o composto interage com diversos sistemas do corpo humano, abrindo caminho para novas compreensões de suas capacidades.

O que é o diabetes tipo 2 e como ele se manifesta

  • É uma condição crônica caracterizada pela resistência à insulina e por elevados níveis de glicose na corrente sanguínea.
  • A doença é mais incidente em adultos e frequentemente associada à obesidade e ao avanço da idade.
  • Os sintomas comuns incluem sede intensa, micção frequente, fadiga, visão turva, feridas com cicatrização lenta, fome constante e perda de peso inexplicada.
  • O tratamento envolve o uso de medicamentos para regular a glicemia e, em certos casos, a administração de insulina.
  • Mudanças no estilo de vida, como a redução de peso corporal, uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios físicos, são vitais para o controle eficaz da condição.

A influência da metformina nos mecanismos celulares

De acordo com os pesquisadores, a metformina é capaz de ativar uma enzima conhecida como proteína quinase ativada por AMP (AMPK). Esta enzima desempenha um papel importante no equilíbrio energético das células. Sua ativação não apenas contribui para diminuir a glicose no sangue, mas também interfere em outras vias metabólicas essenciais.

Entre os impactos observados estão a diminuição do estresse oxidativo, aprimoramento da resposta à insulina e o aumento da autofagia, um processo vital onde as células eliminam componentes danificados. Tais resultados estão diretamente ligados à manutenção da funcionalidade celular ao longo do tempo.

A revisão científica também descreve a capacidade da metformina de inibir a proteína mTOR, que está associada ao crescimento celular. Em estudos realizados com modelos experimentais, a combinação desses efeitos foi correlacionada com um aumento da longevidade.

Evidências encontradas em pesquisas com humanos e animais

Parte das provas que apoiam esses achados provém de experimentos em animais. Em vermes, por exemplo, foi observada uma ligação entre níveis mais elevados da enzima AMPK e um maior tempo de vida. Em contraste, a ausência dessa enzima resultou em uma redução da sobrevida em camundongos.

No que diz respeito aos seres humanos, os dados disponíveis ainda são limitados. Um estudo de 2022, que envolveu 32 pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2, indicou um envelhecimento biológico mais lento entre aqueles que utilizavam metformina, com uma diferença estimada entre 2,7 e 3,4 anos. Os autores, porém, enfatizam que essa análise não permite estabelecer uma relação de causa e efeito direta.

Outro aspecto examinado inclui as alterações epigenéticas, que são mecanismos que regulam a atividade dos genes. A metformina pode influenciar esse processo ao estabilizar a enzima TET2, um fator que está ligado à manutenção da integridade do DNA ao longo do tempo.

Metformina
Metformina – luchschenF/ Shutterstock.com

Impactos sobre a flora intestinal e a inflamação

Os estudiosos também ressaltam os efeitos da metformina sobre o microbioma intestinal. Modificações nas bactérias presentes no intestino foram associadas a uma redução da inflamação e a uma melhora em importantes parâmetros metabólicos.

Em pesquisas realizadas com animais, a administração de metformina em dietas com alto teor de gordura foi conectada a uma menor progressão de tumores. Esse efeito pode ter relação com as mudanças induzidas na composição da flora intestinal.

Próximas etapas e as limitações das descobertas

Apesar do volume de investigações, os autores da revisão afirmam que ainda não há evidências suficientes para determinar com clareza como a metformina interfere no envelhecimento de indivíduos que não possuem diabetes. Diversos estudos analisam desfechos distintos, como doenças cardiovasculares, câncer e mortalidade, o que dificulta a obtenção de uma conclusão unificada.

Um ensaio clínico de grande porte, denominado TAME, está em fase de planejamento e deverá recrutar aproximadamente 3 mil participantes em 14 centros de pesquisa distribuídos pelos Estados Unidos. O objetivo é avaliar, ao longo de vários anos, se o medicamento pode, de fato, influenciar o desenvolvimento de doenças relacionadas à idade.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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