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FGTS recebe cotas do PIS/PASEP de 1988 e libera saldo para saque

FGTS CAIXA SAQUE BENEFICIOS
Foto: Antonio Salaverry/Shutterstock.com
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A Medida Provisória nº 946 de 2020 extinguiu formalmente o Fundo PIS/PASEP em âmbito nacional e determinou a transferência total de seu patrimônio residual para o FGTS. Com a mudança administrativa, as contas vinculadas mantidas pelos trabalhadores participantes passaram a operar diretamente sob a estrutura jurídica do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

Repasse patrimonial integra contas históricas ao Fundo de Garantia

O antigo Fundo PIS/PASEP nasceu da união entre os recursos do Programa de Integração Social e os depósitos do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Esse patrimônio financeiro específico acumulou créditos efetuados pelos empregadores entre o ano de 1971 e o dia 4 de outubro de 1988, quando a nova Carta Magna alterou a destinação dessas contribuições. A partir da edição da norma governamental, as contas migradas herdaram a legislação do FGTS sem anular a titularidade de quem trabalhou naquele intervalo.

A legislação estabeleceu que os valores das contas vinculadas criadas a partir do Fundo PIS/PASEP podem receber a Distribuição de Resultado do FGTS sobre o ano-base de 2021, integrando os rendimentos previstos em lei sem retirar a titularidade dos participantes cadastrados. Os titulares mantiveram a possibilidade de sacar o dinheiro integralmente nas contas vinculadas recém-estruturadas.

Distinção detalhada entre cotas de patrimônio e abono salarial

Muitos cidadãos confundem as cotas originárias do PIS/PASEP com o pagamento regular do abono salarial, mas as duas modalidades possuem naturezas jurídicas e origens operacionais completamente distintas. As cotas derivam exclusivamente dos depósitos patrimoniais que as empresas e entidades estatais realizaram em benefício de trabalhadores com carteira assinada entre 1971 e 4 de outubro de 1988. Em contrapartida, o abono salarial funciona como um benefício anual fixado pela Constituição Federal aos profissionais que cumprem critérios laborais e remuneratórios periódicos. A Medida Provisória nº 946 de 2020 manteve intactas as normas de concessão desse pagamento constitucional.

O trabalhador precisa atender conjuntamente a exigências legais específicas para conquistar o direito ao abono salarial no ano de referência. A quantia fica disponível.

  • Possuir inscrição ativa no PIS ou no PASEP há pelo menos cinco anos no momento do cálculo.
  • Ter recebido de pessoa jurídica remuneração média de até dois salários mínimos ao longo do ano-base de referência.
  • Ter exercido atividade remunerada com registro formal em carteira por um período mínimo de trinta dias no respectivo ano-base.
  • Ter os dados cadastrais e trabalhistas corretamente declarados pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais pertinente ao ano fiscal.

O valor pago a título de abono salarial atinge o limite máximo de um salário mínimo e respeita o cálculo proporcional aos meses trabalhados durante o ano-base analisado. Por sua vez, as cotas do PIS/PASEP transferidas ao FGTS não sofrem esse cálculo de proporcionalidade temporal e refletem apenas o saldo histórico atualizado das contas. O beneficiário pode consultar os valores resultantes da migração diretamente pelos canais eletrônicos disponibilizados para o acompanhamento regular do saldo do FGTS.

Normas de saque e critérios de cálculo rescisório

Todos os trabalhadores inscritos no Fundo PIS/PASEP que mantiverem saldo de cotas ativas possuem autorização legal para efetuar a retirada total dos recursos creditados. A Lei nº 13.932 de 2019 definiu as hipóteses gerais que balizam o acesso a esses valores patrimoniais migrados para o Fundo de Garantia.

A norma impede que as cotas transferidas entrem na base de cálculo da parcela anual sacada por trabalhadores que optarem pela modalidade do Saque-Aniversário do FGTS. Além disso, o montante histórico oriundo da migração do PIS/PASEP não entra na composição do saldo rescisório utilizado para apuração da indenização financeira aplicada nas demissões sem justa causa. O montante transferido permanece isolado para que o cálculo da multa rescisória e das verbas trabalhistas de novos empregos não sofra distorções legais. O saldo segue disponível para resgate integral dentro das condições de encerramento contratual previstas em lei.

Caso o titular das cotas do PIS/PASEP venha a falecer, os recursos financeiros vinculados à conta não são cancelados nem revertidos aos cofres estatais. O montante passa imediatamente para os dependentes habilitados ou sucessores legítimos reconhecidos pelas regras do direito civil brasileiro.

Documentação exigida para titulares e dependentes habilitados

A liberação dos recursos impõe a entrega de documentos oficiais que comprovem a titularidade do saldo ou o vínculo hereditário com o participante registrado. O procedimento exige comprovação. Os beneficiários devem apresentar os registros correspondentes para cada situação legal antes de obter o repasse financeiro.

  • Titular do saldo migrado: apresentação do documento de identidade oficial com foto.
  • Dependente de participante falecido vinculado ao regime geral: certidão de óbito e declaração formal emitida pelo INSS com o nome, data de nascimento e grau de parentesco dos beneficiários da pensão por morte.
  • Dependente de servidor público falecido: certidão de óbito acompanhada da declaração de beneficiários fornecida pela entidade empregadora do setor público onde o titular atuava.
  • Beneficiários indicados pela Justiça: alvará judicial específico com a designação dos sucessores e, quando a ordem judicial não citar o óbito, certidão de falecimento original.
  • Partilha em processo de herança: escritura pública de inventário lavrada perante tabelião em cartório de notas ou formal de partilha expedido em autos de ação judicial.
  • Ausência de pensionistas declarados: certidão de óbito, documento de identidade de todos os sucessores e autorização de saque assinada em conjunto por todos eles, declarando a inexistência de outros herdeiros conhecidos.
  • Decisão judicial direta: apresentação de mandado ou ordem judicial com a certidão de dependentes e documento oficial do solicitante.

A Lei nº 8.036 de 1990 rege a movimentação das contas do FGTS e disciplina os casos em que o dinheiro das cotas migradas pode ser liberado aos solicitantes. Essas regras operacionais asseguram que apenas os herdeiros expressamente comprovados em formulários oficiais tenham acesso ao patrimônio do participante falecido.

Casos de liberação automática e exceções legais de retirada

Os saldos resultantes da migração do PIS/PASEP entram na rotina financeira do FGTS e contam com liberação automática quando o trabalhador realiza saques autorizados pela Lei nº 8.036 de 1990. No entanto, o sistema exclui expressamente quatro situações específicas dessa transferência automática: resgates por falecimento do participante, saques determinados por ordem judicial, saques emergenciais e a utilização do saldo para aquisição de moradia própria. Nessas quatro exceções pontuais, o cidadão deve apresentar requerimento instruído com documentação específica para liberar o saldo migrado.

O sistema processa o pagamento automático quando um trabalhador dispensado sem justa causa requisita o resgate de sua conta por rescisão de contrato de trabalho. Nessa circunstância de demissão involuntária, o saldo residual migrado do antigo Fundo PIS/PASEP cai conjuntamente com os depósitos rescisórios no canal de recebimento previamente cadastrado pelo titular.

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