Flávio Bolsonaro cita gastos de R$ 24 bi e cobra o STF na TV

Flavio Bolsonaro - FotoField/shutterstock.com

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O senador e candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL), declarou em sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, no Rio de Janeiro, em 16 de outubro de 2026, que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem responder por eventuais crimes de responsabilidade. A resposta ocorreu após questionamento da jornalista e apresentadora Renata Lo Prete sobre revelações envolvendo o ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master.

Indagado se o magistrado, indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), precisaria ser investigado após a apreensão de mensagens pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, o parlamentar evitou citar Nunes Marques nominalmente. “Qualquer pessoa, qualquer ministro do Supremo que infrinja a lei tem que, obviamente, responder por isso”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Mensagens de Daniel Vorcaro e aplicação da Lei nº 1.079 no Senado

Durante a entrevista, a apresentadora detalhou o conteúdo encontrado pelos investigadores no aparelho telefônico do empresário. “Mas e o ministro Kassio Nunes Marques? Ele foi indicado pelo seu pai. E mensagens do celular do Daniel Vorcaro indicam que, além de bancar despesas do ministro, pagou ao filho dele por meio de uma empresa de consultoria. Ele também precisa ser investigado?”, questionou Renata Lo Prete, em referência aos pagamentos direcionados ao advogado Kevin Marques, filho do magistrado.

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Ao comentar os dados da apuração policial, o candidato defendeu a submissão de todos os agentes públicos à legislação vigente, sem anunciar um pedido específico de afastamento contra Nunes Marques. “Todos têm que estar debaixo da lei. Esse é o grande problema do Brasil hoje, Renata: certas pessoas acham que estão acima da lei, mas a lei precisa valer para todo mundo”, declarou o senador.

Para justificar a possibilidade de punição a integrantes da Corte, o candidato citou a Lei nº 1.079, de 1950, norma federal que define os crimes de responsabilidade e regulamenta os processos de impeachment no país, incluindo os aplicáveis a ministros do STF. De acordo com o parlamentar, caso um magistrado se enquadre nas hipóteses previstas nessa legislação — como exercer atividade político-partidária ou proferir decisões em processos nos quais deveria se declarar suspeito —, cabe ao Senado Federal instaurar o respectivo processo de impedimento para responsabilizá-lo.

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Acusações contra Alexandre de Moraes e negociação de R$ 134 milhões

Apesar de o questionamento inicial tratar de Nunes Marques, o candidato direcionou suas críticas nominais ao ministro do STF Alexandre de Moraes, de quem já defendeu o impeachment anteriormente. Flávio Bolsonaro acusou o magistrado de atuar politicamente, de proferir decisões contra adversários do governo federal e de articular uma aproximação entre o presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.

As declarações sobre a suposta articulação política de Alexandre de Moraes entre Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre constam apenas na fala do candidato durante a entrevista, sem comprovação independente apresentada.

Na mesma sabatina na emissora, Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre sua própria relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, especificamente a respeito de uma negociação no valor de R$ 134 milhões voltada ao financiamento para produzir o filme “Dark Horse”, obra em homenagem a Jair Bolsonaro, ocasião em que o senador negou a ocorrência de ilicitudes. Antes da entrevista noturna desta sexta-feira (16), o parlamentar participou de um encontro e almoço reservado com a cúpula da Globo, agenda que provocou reação da campanha adversária de Luiz Inácio Lula da Silva, sabatinado na véspera, na quinta-feira (15).

Propostas de Flávio Bolsonaro para o STF e corte de R$ 24 bilhões

A entrevista abordou ainda as diretrizes de reforma do Poder Judiciário registradas por Flávio Bolsonaro em seu plano de governo entregue ao TSE. O senador argumentou que a atuação de magistrados em temas políticos afeta a credibilidade do STF e defendeu alterações estruturais nas regras da Corte e no orçamento dos três Poderes, afirmando que a soma de gastos anuais do Judiciário com benefícios extras, chamados de “penduricalhos”, atinge R$ 24 bilhões por ano.

  • Competência criminal: retirada da atribuição do STF para julgar processos criminais contra parlamentares.
  • Atuação interna: redução das decisões individuais tomadas de forma monocrática pelos ministros.
  • Regras de parentesco: imposição de restrições à atuação de familiares de magistrados em processos que tramitam na Corte.
  • Corte de despesas: revisão de privilégios nos três Poderes para conter os R$ 24 bilhões anuais estimados pelo candidato em benefícios extras no Judiciário.
Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.
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