Cemaden deixa de prever ondas de calor fortes para 2026 com El NiñoPor Manuela
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O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) reduziu a estimativa de fortes ondas de calor até o fim de 2026 e deixou de prever novos episódios intensos para o ano. Antes, o órgão apontava pelo menos seis ondas de calor até dezembro, em projeção divulgada no fim de agosto. O diagnóstico, atualizado em outubro de 2026, mantém o alerta para cinco frentes de impacto no país até o início de 2027.
A mudança foi explicada pelo coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, José Marengo. Segundo ele, a estimativa anterior se baseava nos eventos de 2015/2016 e 2023/2024, que tiveram muitas ondas de calor na primavera. Os cálculos novos indicam, nas palavras dele, uma perspectiva de poucas ondas de calor. Marengo ponderou que a transição de estações ainda exige acompanhamento: “Claro que ainda estamos na primavera, o verão nem começou”.
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Seca avança no Norte e no Nordeste enquanto o Sul recebe chuva acima da média
Mesmo com a queda nos picos de calor extremo, o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, já altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Na Amazônia e no Nordeste, a falta de chuva atrapalha a navegação e a captação de água, e pressiona os reservatórios. A vegetação seca, somada a temperaturas altas, aumenta o perigo de queimadas na floresta amazônica e no Cerrado. No Sul, as chuvas persistentes e acima da média elevam o nível dos rios e o risco de cheias e alagamentos, o que ameaça o agronegócio com perdas simultâneas por falta de água no Centro-Norte e excesso no Sul.
Organização Meteorológica Mundial vê El Niño entre os mais fortes desde 1950
Na quarta-feira (21), a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) com sede em Genebra, alertou que o fenômeno pode atingir intensidade excepcional. O pico está previsto para dezembro, com efeitos que devem se estender até fevereiro de 2027. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, declarou em comunicado oficial: “Poderá ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950”.
O aviso acompanha análises de centros de pesquisa que monitoram o aquecimento dos oceanos e seus efeitos humanitários e ambientais em escala global. O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, também acompanha esses reflexos. Em boletim divulgado em 19 de outubro de 2026, o Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, registrou elevação térmica de +3,3 °C em outubro na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial. As projeções variam conforme a metodologia de cada instituição científica.
- Probabilidade de intensidade muito forte: 95% no trimestre de outubro a dezembro de 2026, segundo o Boletim nº 4 do Painel El Niño (Inmet, Inpe e Cemaden), divulgado em 1º de outubro de 2026.
- Segurança alimentar: 50 milhões de pessoas no mundo podem enfrentar agravamento da fome devido aos extremos climáticos, segundo a ONU.
- Mortalidade: até 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, segundo estudo da Universidade de Chicago.
- Nível do mar: elevação de até 40 centímetros em áreas do Pacífico Equatorial e redução do fitoplâncton verde, segundo dados de outubro de 2026 do satélite PACE, da Nasa.
Municípios em seca extrema passam de 4 para 24 em um mês
A previsão anterior do Cemaden, que projetava seis ondas de calor no segundo semestre, se apoiava no comportamento observado durante os eventos fortes de 2015/2016 e de 2023/2024. As condições do episódio atual foram confirmadas oficialmente em junho de 2026 pelo Painel El Niño, grupo técnico formado por Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Dados parciais do Cemaden referentes a setembro de 2026, divulgados pelo Inmet, mostram que o número de municípios brasileiros em seca extrema subiu de 4 para 24 em um mês. As cidades em seca severa passaram de 153 para 197, e a seca grave atinge 16% do território nordestino.















