Cobra-de-junco-anã chega a 3,69 m/s em cambalhotas, 4 vezes mais que rastejandoPor Carolina Costa
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A cobra-de-junco-anã, do gênero Pseudorabdion, escapa de predadores no Sudeste Asiático com uma manobra rara: ela dá cambalhotas em alta velocidade. Um estudo liderado por Yosuke Kojima, da Universidade de Toho, no Japão, explica a biomecânica do movimento. O artigo foi publicado em 19 de outubro de 2026 na revista científica Current Biology. Segundo a pesquisa, a serpente chega a velocidades quatro vezes superiores ao seu deslocamento normal rastejando, e mantém a cabeça estável durante os giros.
O trabalho começou com observações de campo em Sarawak, na ilha de Bornéu, na Malásia, onde os animais foram estudados no ambiente natural e em testes controlados. Kojima, autor principal do artigo, afirmou: “Eu nunca tinha visto nada parecido antes e quis imediatamente aprender mais sobre isso”, em tradução livre.
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Como a serpente gira sem usar membros nem eixo central
Sem pernas ou um eixo para se apoiar, a serpente começa curvando o corpo até formar um arco em letra C. A cabeça fica erguida e apontada para a direção do deslocamento. Depois, ela usa a cauda como um chicote contra o solo, impulsiona o corpo para o ar e passa a parte traseira por cima da cabeça. A cada volta, o contato alterna entre o lado esquerdo e o direito com a superfície, num movimento parecido com o de uma corda girada por uma das pontas.
Durante toda a sequência de cambalhotas, a cabeça e os órgãos sensoriais permanecem relativamente fixos, erguidos e voltados para a frente. O restante do tronco roda repetidamente pelo chão. Quando a parte traseira bate no solo, inicia-se um novo ciclo de impulsão idêntico ao anterior.
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Medições em laboratório e velocidade da fuga
Para mapear o passo a passo, a equipe gravou os répteis em laboratório com câmeras de alta velocidade, posicionadas acima e na lateral da estrutura de testes. A equipe, que também conta com o coautor Ibuki Fukuyama, usou as imagens para montar um quadro com a cinemática, ou seja, o estudo do movimento. O corredor de laboratório tinha cerca de 2,2 metros de comprimento. Foram testadas individualmente 13 cobras de 3 espécies do gênero Pseudorabdion, além de 6 serpentes de espécies aparentadas, usadas para comparação.
- Velocidade máxima nas cambalhotas: de 1,7 a 3,7 metros por segundo, com pico de 3,69 m/s (12,1 pés por segundo), o equivalente a cerca de 6 a 13 km/h.
- Ganho de velocidade: o deslocamento em cambalhotas é aproximadamente 4 vezes mais rápido que o rastejamento normal da espécie.
- Publicação: artigo intitulado “Locomotor kinematics and head stabilization in rolling snakes”, divulgado na Current Biology.
As medições também registraram o tamanho dos animais estudados. A Pseudorabdion longiceps mede de 11 a 28 centímetros, segundo os dados do estudo. Os números reunidos pela equipe japonesa vêm das mesmas gravações feitas em laboratório.
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Quando a manobra foi vista pela primeira vez na natureza
Antes das gravações feitas pela equipe japonesa entre 2019 e 2022, o comportamento de fuga em cambalhotas era conhecido apenas por relatos de biólogos e registros fotográficos. A primeira observação formal dessa manobra em um réptil ocorreu em agosto de 2019. Cientistas liderados por Evan Seng Huat Quah, herpetólogo da Universidade da Malásia de Sabah, flagraram uma Pseudorabdion longiceps rolando em uma estrada nas montanhas de Kedah, no noroeste da Malásia. A descoberta foi publicada na revista Biotropica em abril de 2023.
A espécie foi classificada pela primeira vez pelo naturalista Theodore Cantor em 1847. É uma serpente pequena, não venenosa, de hábitos noturnos e semifossorial, ou seja, adaptada a viver parcialmente sob a terra. Ela é nativa da Indonésia, Malásia, Brunei, Singapura, Tailândia e Filipinas. Nessas regiões, passa grande parte do tempo escondida sob rochas, troncos caídos ou folhas secas para escapar de aves e outras serpentes, como a cobra-coral-listrada.
















