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Os advogados de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma análise técnica preliminar. O documento aponta manuseio e alterações no celular do banqueiro depois da apreensão feita pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025. Segundo a defesa, o perito contratado identificou três conexões pela porta USB e registros de atividade durante a madrugada, quando o aparelho já estava sob custódia do Estado.

A defesa afirma que encomendou a perícia depois que Vorcaro não reconheceu a veracidade de uma série de conteúdos vazados. Em nota, os advogados declararam: “As constatações do perito são graves e objetivas”. Eles sustentam que esses registros constam do próprio relatório oficial da PF, que indica que as conexões serviram para carregar o aparelho.

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Daniel Vorcaro, dono do banco Master
Foto: Daniel Vorcaro, dono do banco Master – Reprodução

O caso acumula uma sequência longa de episódios. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai no Aeroporto de Guarulhos, no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Ele foi solto dez dias depois, com monitoramento eletrônico, e voltou à cadeia em 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero, por decisão do ministro André Mendonça, do STF. Duas propostas de delação foram rejeitadas pela PF. Nesta quarta-feira (28), a PF indiciou Vorcaro e mais 14 investigados, com pedido de prorrogação de 60 dias das investigações ao STF. Somadas as penas dos crimes apontados, a punição pode variar de 12 a 41 anos de prisão, sem considerar agravantes. Reportagens de agosto diziam que ele seguia em prisão preventiva em Brasília, e as mais recentes informam que ele está na Papudinha, no Distrito Federal.

O conteúdo do celular também virou alvo de outra disputa. Em 6 de março, o STF afirmou que mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, extraídas do aparelho, não correspondem aos contatos dele. Em setembro, uma reportagem apontou cerca de 32,7 mil arquivos, 10,8 mil chats e 17 mil áudios no material que a PF analisa.

Os principais acontecimentos até aqui:

Continue lendo: Polícia Federal indicia Daniel Vorcaro e ex-diretoria do BRB por fraude e pede prazo ao STF

  • 19 de novembro de 2025: data da extração do conteúdo do aparelho, segundo a defesa.
  • 16 de fevereiro de 2026: a defesa pede ao STF acesso integral aos elementos técnicos das perícias.
  • 6 de março de 2026: o ministro André Mendonça abre inquérito para investigar o vazamento de informações do celular.
  • 13 e 14 de maio de 2026: 340 arquivos do relatório da PF aparecem com data de modificação, conforme a defesa.
  • 21 de setembro de 2026: reportagem aponta 32,7 mil arquivos no material extraído do celular.
  • 29 de outubro de 2026: a defesa entrega ao STF a perícia particular.

Conexões USB e senhas aparecem em laudo encomendado pela defesa

Segundo os advogados, o banco de dados do WhatsApp também teria sido alterado, e há registros de senhas criadas ou trocadas. A defesa diz que nada disso aparece no termo de apreensão e que nenhum documento informa quem manuseou o aparelho, com que finalidade e com qual resultado. Os advogados citam a legislação processual, que prevê a atuação de assistente técnico, e pedem acesso aos dados brutos para verificar se os procedimentos usados na obtenção das provas foram lícitos.

Para a defesa, somente uma perícia independente, com acesso aos dados brutos, poderia confirmar o que mudou no aparelho e em que momento. Hoje, esse material está restrito aos investigadores.

Dia seguinte à prisão soma 657 arquivos alterados e 436 criados

Os advogados afirmam que, no dia seguinte à prisão, 657 arquivos sofreram modificações, e 59 deles são bancos de dados. Outros 436 surgiram no mesmo período, entre eles 94 imagens e cinco bancos de dados. Segundo a defesa, as imagens supostamente alteradas são de alimentos registrados por um aplicativo instalado antes da prisão.

O perito Marcos Monteiro, contratado pela defesa, afirma no relatório que os registros, considerados isoladamente, não permitem determinar quem operou o dispositivo, se houve intervenção humana deliberada ou qual foi a natureza e a extensão das mudanças. Para a análise, ele usou laudos da própria polícia e extrações integrais do telefone. Segundo o documento, a falta de elementos para atribuir as alterações a uma ação humana impede classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas.

Saiba mais: Daniel Vorcaro negociou sociedade na CNN Brasil, apontam diálogos

Datas de maio aparecem em extração feita em novembro de 2025

A extração do conteúdo do aparelho traz a data de 19 de novembro de 2025. Mesmo assim, a defesa aponta que o relatório entregue pela PF contém 340 arquivos com data de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. Para os advogados, o material guarda registros posteriores à própria extração, e não há nos autos uma explicação técnica para isso.

Com base nisso, a defesa sustenta que a integridade das provas não pode ser verificada e, portanto, elas não podem sustentar a acusação. Os advogados pedem que os dados brutos da extração sejam preservados e entregues a eles.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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