Anatel apura mensagens de alerta recebidas na madrugada sem emissão oficialPor Luís Henrique Costa
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Mais de 2.103 notificações da Defesa Civil já chegaram aos celulares do Brasil até março de 2026. O sistema usa a tecnologia Cell Broadcast, que envia mensagens pelas antenas de telefonia às redes 4G e 5G e dispensa cadastro de quem circula em áreas de risco. Quando os avisos se repetem, aparecem imprecisos no mapa ou não trazem orientação de fuga, a população tende a ignorá-los.
O fenômeno tem nome: fadiga de alertas. Ele surge quando notificações frequentes reduzem a capacidade de a pessoa reconhecer um perigo real e imediato. O problema ficou evidente após relatos de cidadãos que tentaram desligar os avisos nos aparelhos. Esses relatos mostram que a mensagem aparecer na tela não garante que a pessoa vá buscar um lugar seguro.
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Níveis e critério de envio dos avisos no celular
- Nível severo: aviso que pede medidas preventivas de autoproteção diante de eventos climáticos relevantes.
- Nível extremo: sinal para perigo iminente à vida, com som de sirene mesmo com o celular no modo silencioso e sem possibilidade de bloqueio manual.
- Critério de envio: mensagens disparadas por triangulação das antenas de telefonia celular, para cobrir perímetros específicos sem inscrição prévia.
Pesquisadores que estudam a gestão de desastres apontam a dessensibilização como um dos principais motivos para a perda de resposta. Ela acontece quando o morador recebe um aviso alarmante, mas não vê nenhum sinal de perigo na própria rua. Se a mensagem fala em risco em um bairro e o céu continua calmo no quarteirão, cresce a sensação de falso alarme. Assim surge um desligamento cognitivo: o som é ouvido, mas deixa de ser levado a sério.
O protocolo internacional da iniciativa Alertas Precoces para Todos descreve a comunicação como a última etapa de uma cadeia de quatro fases. As fases são identificação prévia do risco, monitoramento e previsão, difusão da mensagem e capacidade comunitária de resposta. Para que o aviso funcione, as cidades precisam manter planos de contingência, com rotas de evacuação cadastradas, abrigos públicos conhecidos pelos moradores de cada bairro e treinamentos periódicos com a comunidade atingida.
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Sirenes ignoradas: o que falta para o alerta proteger de fato
O painel federal acompanha a quantidade, a localização e a gravidade dos envios, mas não traz indicadores sobre o que a população faz depois do toque do aparelho. Para que o comunicado proteja de fato, a mensagem precisa trocar o alerta genérico de chuva por uma orientação pontual, com ações viáveis e a indicação das vias interditadas ou dos pontos seguros. O volume vem crescendo: segundo levantamento divulgado em julho de 2026, o sistema emitiu 1.768 alertas extremos no primeiro semestre de 2026, mais de quatro vezes os 398 do mesmo período de 2025.
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Em 20 de junho de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que apurava mensagens recebidas por usuários durante a madrugada e não emitidas pelas autoridades competentes. A Defesa Civil também apurava as circunstâncias do caso. Até o momento, não há conclusão sobre a origem dessas mensagens nem sobre a responsabilidade pelos envios.
















