El Niño em 2026: Boletim nº 5 prevê fase muito forte de novembro a janeiro no BrasilPor Luís Pereira
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O Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, reduziu a estimativa de fortes ondas de calor até o fim de 2026 ao revisar as previsões para o El Niño no Brasil. A atualização, feita em outubro de 2026, mantém o alerta para cinco frentes de impacto no país até o início de 2027. Entre elas estão o avanço da seca no Norte e no Nordeste e o risco maior de incêndios florestais na Amazônia e no Cerrado.
No fim de agosto de 2026, o mesmo órgão previa pelo menos seis ondas de calor até dezembro. Agora, o coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, José Marengo, afirmou: “Novos cálculos que fizemos mostram uma perspectiva de poucas ondas de calor”. Ele ponderou que a transição entre as estações ainda pede acompanhamento: “Claro que ainda estamos na primavera, o verão nem começou, o que pode trazer mudanças”. O prognóstico do Inpe para novembro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027, publicado em 27 de outubro de 2026, prevê temperaturas de 1°C a 2°C acima da média em praticamente todo o território nacional. Em parte do Pará, a perspectiva é de anomalias entre 2°C e 3°C.
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Centro-Norte com seca e fogo, Sul com cheias e alagamentos
Apesar da revisão para baixo nos picos de calor extremo, o El Niño já altera o regime de chuvas em diferentes regiões do país. O fenômeno é marcado pelo aquecimento fora do normal das águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial. Na Amazônia e no Nordeste, a falta de chuva atrapalha a navegação e a captação de água e pressiona os reservatórios. A vegetação seca, somada às temperaturas altas, amplia o perigo de queimadas na floresta amazônica e no Cerrado. Na Região Sul, as chuvas seguem acima da média histórica, elevam o nível dos rios e aumentam o risco de cheias e alagamentos. O quadro também ameaça o agronegócio, com perdas simultâneas por déficit hídrico no Centro-Norte e excesso de água no Sul.
Intensidade sem precedentes em quatro décadas, aponta a OMM
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU) e sediada em Genebra, alertou em 21 de outubro de 2026 que o El Niño em curso pode chegar a uma intensidade sem precedentes nas últimas quatro décadas. O pico é esperado para o fim de 2026, com desdobramentos até fevereiro de 2027. O aviso acompanha análises de centros de pesquisa que observam o aquecimento do oceano e seus efeitos humanitários e ambientais em escala global. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, e o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, acompanham o tema.
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Em boletim divulgado em 19 de outubro de 2026, o Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, registrou elevação térmica de +3,3 °C em outubro na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial, faixa usada como referência para medir o fenômeno. As projeções para a anomalia máxima variam conforme a metodologia de cada instituição. Os dados consolidados pelas agências nacionais e internacionais ajudam a medir a dimensão do evento.
- Intensidade prevista: categoria muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo o Boletim nº 5 do Painel El Niño, divulgado em 29 de outubro de 2026.
- Segurança alimentar: 50 milhões de pessoas no mundo podem enfrentar agravamento da fome devido aos extremos climáticos, segundo a ONU.
- Mortalidade: 451 mil mortes adicionais ligadas ao calor extremo entre 2026 e fevereiro de 2027, segundo estudo da Universidade de Chicago.
- Oceano: elevação do nível do mar de até 40 centímetros em áreas do Pacífico Equatorial e menos fitoplâncton verde, o que deixa a água mais azulada, segundo dados de outubro de 2026 do satélite PACE, da Nasa.
Seca avança e municípios em situação extrema saltam de 4 para 24
A previsão anterior do Cemaden, de seis ondas de calor no segundo semestre, se apoiava no comportamento da atmosfera observado nos eventos fortes de 2015/2016 e de 2023/2024. Em junho de 2026, o Painel El Niño, grupo técnico formado por Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam, confirmou oficialmente as condições do episódio atual. Dados parciais do Cemaden de setembro de 2026, divulgados pelo Inmet, mostram que o número de municípios em seca extrema subiu de 4 para 24 em um mês. No mesmo intervalo, as cidades em seca severa passaram de 153 para 197, atingindo de forma grave 16% do território nordestino. Para orientação, o Painel El Niño recomenda acompanhar os avisos e alertas dos órgãos oficiais.















