Cometa interestelar 3I/ATLAS gera boatos de alerta global após detecção em julho de 2025

4 min de leitura
cometa Foto: cometa - Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Astrônomos detectaram o cometa 3I/ATLAS em 1º de julho de 2025, no observatório ATLAS no Chile. O objeto, originário de fora do Sistema Solar, é o terceiro interestelar confirmado após 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. A descoberta ocorreu quando o cometa viajava a 221 mil km/h, a cerca de 675 milhões de quilômetros do Sol.

Boatos nas redes sociais sugeriram risco de colisão com a Terra ou origem artificial, mas agências como Nasa e ESA afirmam que o cometa passará a 270 milhões de quilômetros do planeta em dezembro de 2025. A confusão surgiu de um boletim técnico do Minor Planet Center, interpretado erroneamente como alerta de defesa planetária.

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides anunciou uma campanha de observação de 27 de novembro de 2025 a 27 de janeiro de 2026.

  • O foco inclui medições astrométricas precisas para mapear trajetórias de objetos interestelares.
  • Telescópios como Hubble e James Webb capturaram dados iniciais da coma e cauda do cometa.
  • A iniciativa testa protocolos globais sem qualquer indício de ameaça.

Descoberta inicial e confirmação da origem

O telescópio ATLAS flagrou o 3I/ATLAS durante uma varredura rotineira em Río Hurtado. Observações subsequentes no Lowell Discovery Telescope, no Arizona, e no Canada-France-Hawaii Telescope confirmaram atividade cometa, como coma marginal e elongação de cauda de 3 segundos de arco.

Em 2 de julho de 2025, o Minor Planet Center designou o objeto como interestelar devido à órbita hiperbólica e velocidade excessiva. Astrônomos notaram atividade cometary desde maio de 2025, via dados do satélite TESS da Nasa.

Composição química anômala revelada

Observações do Telescópio Espacial James Webb identificaram dióxido de carbono dominante na coma, com oito vezes mais CO₂ que água. Essa proporção excede variações esperadas em cometas solares por seis vezes.

O núcleo, estimado entre 440 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, libera monóxido de carbono, sulfeto de carbonila e gelo d’água. Detectou-se vapor de níquel na atmosfera, incomum a essa distância do Sol.

Esses elementos sugerem formação em ambiente interestelar frio, abaixo de 30 Kelvin, com camadas misturadas de níquel e ferro.

  • A coma avermelhada indica poeira similar ao cometa 2I/Borisov.
  • Ausência de orgânicos comuns diferencia-o de corpos locais.
  • Espectroscopia do Observatório Keck confirmou assinaturas únicas em 50 cometas comparados.
rota do 3I-ATLAS
rota do 3I-ATLAS – Foto: NASA/JPL-Caltech

Comportamento durante o periélio

O cometa atingiu o periélio em 30 de outubro de 2025, a 1,4 unidade astronômica do Sol, dentro da órbita de Marte. A distância mínima foi de 203 milhões de quilômetros, registrada às 8h47 de Brasília.

Aproximação solar aqueceu o núcleo, sublimando gelos voláteis e formando cauda e coma. Missões como PUNCH e SOHO monitoraram o evento, notando ejeção intensa de gás sem fragmentação.

A cauda, inicialmente anticauda apontando ao Sol, inverteu direção após ejeção de partículas finas. Velocidade atingiu 210 mil km/h, cruzando detritos próximos à sonda Europa Clipper rumo a Júpiter.

Observações globais coordenadas

A Nasa ativou protocolo de defesa planetária para análise técnica, sem emergência. Telescópios terrestres em Chile, Havaí e Austrália rastrearam o objeto desde julho.

Em dezembro de 2025, o 3I/ATLAS cruzará constelações de Virgem e Leão, com brilho abaixo de magnitude 12. A Agência Espacial Europeia usará a missão JUICE para capturas entre 2 e 25 de novembro.

O cometa, estimado em 3 a 11 bilhões de anos, oferece amostra de formação estelar distante.

Astrônomos desmentem especulações de origem tecnológica, como propostas por Avi Loeb de Harvard. Compostos detectados ocorrem em cometas solares, variando apenas proporções devido ao ambiente de origem.

A Nasa enfatiza que atualizações rotineiras não implicam silêncio ou ocultação de dados.

Campanha de monitoramento futuro

O 3I/ATLAS permanecerá visível até setembro de 2026, reaparecendo após conjunção solar em dezembro de 2025. Observações do Telescópio Vera C. Brown aprimoram detecção precoce de visitantes interestelares.

Essa passagem reforça avanços em astroquímica, revelando diversidade galáctica em formação planetária.

Trajetória e implicações científicas

A órbita hiperbólica confirma saída permanente do Sistema Solar após periélio. Velocidade relativa ao Sol atinge 61 km/s, indicando deriva prolongada pelo espaço interestelar.

Estudos preliminares sugerem idade superior ao Sistema Solar, com química refletindo condições de pressão e temperatura únicas.

A detecção precoce, a 4,5 UA do Sol, demonstra evolução em surveys como ATLAS.

  • Idade estimada: 3 a 11 bilhões de anos.
  • Aproximação à Terra: 270 milhões de km em 19 de dezembro de 2025.
  • Sem risco de impacto ou interação planetária.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

Notícias relacionadas