Astrônomos registraram pela primeira vez o momento exato em que uma estrela engoliu um planeta inteiro. O fenômeno ocorreu em uma estrela semelhante ao Sol localizada a cerca de 12 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Águia. A observação foi possível graças a um aumento repentino de brilho que durou cerca de 500 dias e a uma nuvem fria de gás e poeira detectada posteriormente.
O evento aconteceu quando a estrela, em fase de expansão ao final de sua vida, aproximou seu envelope externo do planeta que orbitava muito próximo. A gravidade estelar destruiu e absorveu o corpo planetário, liberando energia equivalente a milhares de vezes o brilho normal da estrela.
Como os pesquisadores detectaram o fenômeno
O sinal foi identificado inicialmente pelo telescópio Zwicky Transient Facility, no Observatório Palomar, na Califórnia. Um flash óptico intenso chamou a atenção dos cientistas em 2020.
Em seguida, observações com o observatório Keck, no Havaí, confirmaram a presença de elementos químicos típicos de planetas como hidrogênio e hélio na atmosfera da estrela.
- Aumento de brilho durou aproximadamente 500 dias
- Nuvem de poeira fria se formou anos após o flash
- Temperatura da estrela caiu de 6.000°C para cerca de 100°C no local do evento
- Elementos metálicos foram incorporados à composição estelar
Características do planeta destruído
O planeta tinha massa estimada entre uma e dez vezes a de Júpiter. Ele orbitava a estrela a uma distância menor que 1,5 vez o raio atual do Sol.
A proximidade fez com que o planeta fosse engolido durante a fase de gigante vermelha da estrela. Planetas menores poderiam produzir sinais mais fracos e difíceis de detectar.
Diferenças entre planetas pequenos e grandes
Planetas do tamanho da Terra causam alterações sutis na luminosidade estelar. Corpos maiores, como gigantes gasosos, geram explosões de energia mais visíveis.
A quantidade de material ejetado também varia conforme a massa do planeta. Eventos com planetas pequenos podem passar despercebidos em observações atuais.
O que o caso revela sobre evolução estelar
Estrelas como o Sol expandem-se ao esgotar o hidrogênio em seu núcleo. Essa expansão pode alcançar órbitas de planetas internos em bilhões de anos.
O fenômeno observado confirma modelos teóricos sobre fusão de envelopes estelares. A incorporação de material planetário altera a composição química da estrela de forma permanente.
Implicações para o Sistema Solar
O Sol passará por fase semelhante daqui a cerca de 5 bilhões de anos. Mercúrio e Vênus serão certamente engolidos nessa etapa.
A órbita da Terra poderá ser afetada, dependendo da perda de massa solar. O evento registrado serve como exemplo direto do processo que ocorrerá no futuro.
Avanços na detecção de eventos similares
Novos telescópios como o Rubin Observatory aumentarão a capacidade de identificar casos parecidos. Centenas de eventos podem ser registrados nos próximos anos.
A combinação de dados ópticos e infravermelhos melhora a precisão das observações. Técnicas atuais permitem distinguir engolimentos de outros fenômenos transitórios.
