Sonda Parker capta imagens inesperadas da superfície venusiana através de nuvens

4 min de leitura
Planeta Vênus Foto: Planeta Vênus - Pzykodegoat/ Shutterstock.com

A sonda Parker Solar Probe, da Nasa, capturou imagens da superfície de Vênus em luz visível durante aproximações ao planeta, revelando detalhes da topografia sob as densas nuvens de ácido sulfúrico. A descoberta ocorreu de forma incidental em voos de assistência gravitacional realizados em julho de 2020 e fevereiro de 2021. O instrumento WISPR, projetado para observar a coroa solar, registrou o lado noturno do planeta e identificou características como a região montanhosa Aphrodite Terra.

As imagens surgiram quando a sonda passou a cerca de 12.380 km da superfície venusiana. A capacidade do WISPR de detectar comprimentos de onda no visível e próximo ao infravermelho permitiu captar a radiação térmica emitida pelo solo extremamente quente. Essa observação representa a primeira vez que a superfície de Vênus foi registrada em luz visível a partir do espaço.

Principais características identificadas nas imagens

  • Aphrodite Terra aparece como uma grande área escura devido à menor emissão térmica nas regiões elevadas.
  • Tellus Regio e planícies como Aino Planitia mostram variações sutis de temperatura.
  • Bordas do planeta exibem brilho intenso causado por luminescência atmosférica no lado noturno.
  • Traços finos nas fotos correspondem a partículas de raios cósmicos atingindo o sensor.

Instrumento WISPR detecta radiação térmica inesperada

O WISPR foi ativado durante a terceira passagem por Vênus, em 11 de julho de 2020. Cientistas esperavam ver apenas as nuvens superiores, mas a câmera penetrou a atmosfera densa e capturou contrastes térmicos na superfície. A temperatura média do planeta atinge cerca de 460 graus Celsius, com diferenças de até 30 graus Celsius entre planaltos e planícies.

Essas variações térmicas explicam os padrões escuros e claros nas imagens. Regiões mais altas, como Aphrodite Terra, emitem menos radiação térmica por causa da altitude, criando silhuetas visíveis mesmo através das nuvens permanentes de ácido sulfúrico.

Planeta Vênus
Planeta Vênus – 24K-Production/shutterstock.com

Comparação com dados de outras missões

As imagens da Parker Solar Probe apresentam semelhanças com as capturadas pela sonda Akatsuki, da JAXA, em comprimentos de onda próximos ao infravermelho. Essa correspondência confirmou que o WISPR registrava emissões térmicas da superfície. Os dados complementam mapas de radar da missão Magellan, que revelou o relevo venusiano décadas antes.

Fenômenos atmosféricos destacados nas bordas

A borda do disco planetário aparece com brilho pronunciado em todas as capturas. Esse halo resulta da luminescência atmosférica, produzida pela recombinação de átomos de oxigênio na alta atmosfera excitados pela radiação ultravioleta solar. O fenômeno ocorre exclusivamente no lado noturno e reforça a complexidade da atmosfera venusiana.

Aplicações para futuras explorações espaciais

A sensibilidade extra do WISPR amplia seu uso além da observação solar. O instrumento pode detectar poeira cósmica na vizinhança do Sol com maior detalhe. Além disso, as descobertas em Vênus indicam potencial para análises de outros planetas rochosos em missões futuras.

A Parker Solar Probe segue ajustando sua órbita com voos de assistência em Vênus. A trajetória a aproxima cada vez mais do Sol, com recordes de proximidade previstos para os próximos anos. O sucesso multifuncional do equipamento demonstra como tecnologias especializadas podem gerar avanços inesperados em áreas distintas.

Contribuição para o estudo da geologia venusiana

Essas observações fornecem uma nova perspectiva sobre a evolução do planeta. Apesar da proximidade com a Terra, Vênus apresenta superfície dominada por vulcanismo e tectônica distinta. As imagens em luz visível ajudam a conectar dados térmicos com mapas topográficos existentes.

A equipe da missão continua refinando operações para aproveitar o WISPR em passagens futuras. O feito reforça o valor de instrumentos versáteis em exploração espacial de longo prazo.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

Notícias relacionadas