Levetiracetam pode prevenir Alzheimer ao bloquear produção de beta-amiloide com uso a partir dos 30 anos em grupos de risco

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Levetiracetam Foto: Levetiracetam - Photo Nature Travel/ Shutterstock.com

Um medicamento antiepiléptico aprovado há décadas nos Estados Unidos demonstra potencial para interromper a progressão da doença de Alzheimer antes mesmo do surgimento dos sintomas. Pesquisadores identificaram que o levetiracetam impede a produção da forma mais tóxica da proteína beta-amiloide (Aβ42), responsável pelo dano às células cerebrais e pelo desenvolvimento de placas senis características da doença.

O estudo, realizado por cientistas da Universidade Northwestern, utilizou modelos animais geneticamente modificados, culturas de neurônios humanos e tecidos cerebrais de pacientes com síndrome de Down. Essa abordagem permitiu mapear o local exato onde a Aβ42 se acumula nas vesículas sinápticas dos neurônios. Os resultados indicam que o medicamento atua modulando uma proteína específica nas vesículas sinápticas, alterando o processamento da proteína precursora do amiloide e evitando sua transformação em formas prejudiciais.

Pacientes com síndrome de Down apresentam risco elevado de desenvolver Alzheimer de início precoce devido à duplicação genética que aumenta a produção de amiloide. Mais de 95% deles manifestam a doença até os 40 anos. O levetiracetam mostrou eficácia em reduzir a produção dessa proteína tóxica nesses modelos, abrindo perspectivas para intervenções preventivas em populações de alto risco.

Mecanismo de ação do medicamento

O levetiracetam se liga à proteína SV2A nas vesículas sinápticas. Essa ligação retarda o processo de reciclagem das vesículas durante a sinalização neuronal. Como resultado, a proteína precursora do amiloide permanece mais tempo na superfície celular e evita a via interna que leva à produção de Aβ42.

Essa modulação impede completamente a formação da proteína nociva em experimentos com neurônios humanos e modelos animais. Diferentemente de tratamentos aprovados como lecanemab e donanemab, que removem placas já formadas, o levetiracetam atua na origem do problema, prevenindo o acúmulo inicial.

Importância do uso precoce

A intervenção precisa ocorrer muito antes de qualquer sinal detectável da doença. Cérebros de pessoas entre 30 e 50 anos geralmente direcionam proteínas para vias seguras. Com o envelhecimento, essas defesas enfraquecem, permitindo desvios que geram Aβ42, emaranhados de tau, morte celular e inflamação.

Para pacientes com Alzheimer já estabelecido, o medicamento não reverte danos irreversíveis. Análises de dados clínicos mostram que usuários de levetiracetam apresentam atraso no tempo entre declínio cognitivo e óbito, mas apenas quando iniciado cedo.

Aplicação em grupos de alto risco

Indivíduos com Alzheimer hereditário ou síndrome de Down representam candidatos prioritários para testes futuros. O medicamento poderia ser administrado em idades jovens para bloquear o processo patológico antes de qualquer alteração mensurável por exames.

Pesquisadores desenvolvem versões aprimoradas do levetiracetam, já que a forma atual é metabolizada rapidamente. Essa melhoria visa maior duração e eficácia na prevenção.

Limitações e próximos passos

O medicamento não é perfeito devido à sua farmacocinética. Estudos adicionais buscam confirmar benefícios em humanos de alto risco com administração prolongada.

A descoberta identifica novos alvos terapêuticos para interromper a produção de Aβ42. Ela reforça a necessidade de estratégias preventivas focadas em fases iniciais da patologia.

Perspectivas para prevenção

O levetiracetam oferece uma abordagem acessível e já aprovada pela FDA. Sua utilização em prevenção exigiria monitoramento rigoroso em populações específicas para avaliar segurança a longo prazo.

Pesquisas continuam para integrar esse mecanismo em protocolos preventivos. A ênfase recai sobre intervenção antes de danos cerebrais irreversíveis.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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