Astrônomo Avi Loeb discute busca por tecnologia extraterrestre em sessão com estudantes na Suécia

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Avi Loeb Foto: Avi Loeb - Reprodução/Yotube

O astrônomo Avi Loeb participou de uma sessão de perguntas e respostas com uma turma de estudantes em uma sala de aula na Suécia no dia 13 de abril de 2026. O professor Henrik Nordvall mediou o encontro. Loeb, que lidera o Projeto Galileu na Universidade Harvard, respondeu a diversas questões sobre métodos de pesquisa, objetos interestelares e a busca por possíveis assinaturas tecnológicas. Ele destacou a necessidade de investigar comportamentos anômalos com base em dados concretos, sem pressuposições iniciais.

Loeb mencionou sua infância em uma fazenda e o interesse contínuo pela natureza e pelo ambiente cósmico. Ele afirmou que seu trabalho prioriza entender o universo de forma aberta, sem assumir que a humanidade ocupa posição central na cadeia de eventos cósmicos. A conversa cobriu desafios práticos na ciência, casos específicos de objetos como Oumuamua e 3I/ATLAS, expedições para recuperação de materiais e críticas à abordagem tradicional em alguns campos da astronomia.

Abordagem científica diante de anomalias

Loeb explicou que o desafio central em pesquisas sobre fenômenos não identificados está em observar comportamentos que fogem do esperado. Muitos cientistas, segundo ele, priorizam a reputação e evitam riscos ao rotular anomalias dentro de categorias conhecidas. Ele citou o exemplo de Oumuamua, que apresentou aceleração não gravitacional sem emissão de gases ou poeira, mas foi inicialmente classificado como cometa escuro.

Essa tendência se estende à cosmologia, onde cerca de 95% do conteúdo do universo é rotulado como matéria escura e energia escura. Loeb argumentou que esses nomes podem refletir limitações nas equações atuais, possivelmente na teoria da gravidade de Einstein, em vez de confirmar a existência de componentes invisíveis reais. A filosofia do Projeto Galileu consiste em manter honestidade intelectual ao coletar mais dados sobre qualquer anomalia observada.

Ele reforçou que nomear algo desconhecido não resolve o problema. Se um objeto não se comporta como esperado, a resposta deve ser reunir evidências adicionais em vez de forçar explicações confortáveis. Essa postura guia todas as atividades do projeto, que busca avançar o conhecimento por meio de observações diretas.

Extraterrestres, alienígenas
Extraterrestres, alienígenas – Foto: Yuri_Arcurs/ Istockphoto.com

Evidências que indicariam assinatura tecnológica

Loeb detalhou critérios para classificar um objeto como possível tecnologia. Imagens em alta resolução ou amostras físicas permitiriam diferenciar uma rocha natural de uma espaçonave. Qualquer pessoa poderia fazer essa distinção com dados suficientes. Outras pistas incluem luzes artificiais não explicadas por reflexão solar, acelerações extremas ou materiais como aço inoxidável em contextos inesperados.

Ele recordou o objeto 2020 SO, identificado como estágio de foguete da NASA graças ao espectro de aço inoxidável. Caso a origem fosse desconhecida, a classificação poderia ter sido diferente. Loeb insistiu que apenas dados concretos resolvem ambiguidades. Sem eles, hipóteses permanecem especulativas.

No contexto de objetos interestelares, sondas tecnológicas poderiam se concentrar em regiões como a zona habitável por razões práticas, similar ao comportamento de abelhas em torno de flores. Isso explicaria uma possível maior concentração de tais objetos perto de recursos de interesse.

Análise de objetos interestelares específicos

Loeb comentou sobre Oumuamua e 3I/ATLAS. Ambos exibiram anomalias, mas nenhuma delas conclusiva quanto à origem tecnológica. Em julho de 2025, após a descoberta de 3I/ATLAS, ele criou a Escala de Classificação Loeb, que varia de 0 para objetos naturais a 10 para tecnologia com potencial ameaça. Atribuiu nota 4 aos dois objetos.

No caso de Oumuamua, o formato extremo, com variação de brilho em fator de 10 devido à rotação a cada oito horas, e a aceleração não gravitacional sem cauda cometária chamaram atenção. A sugestão de que a luz solar poderia impulsioná-lo exigiria estrutura extremamente fina e achatada, algo incomum na natureza.

Para 3I/ATLAS, as anomalias foram diferentes e numerosas. O objeto é muito maior que Oumuamua, com massa estimada em mil vezes superior ou mais. Sua trajetória passou a menos de 5 graus do plano dos planetas, com probabilidade aleatória de 1 em 500. Apresentou anticauda, abundância de deutério mil vezes acima da média cósmica, marcadores orgânicos como metano, sistema de três jatos equidistantes a 120 graus e composição com níquel e pouco ferro, ao contrário do padrão usual em objetos astrofísicos.

Loeb listou 22 anomalias em ensaio recente sobre 3I/ATLAS. Apesar disso, ele mantém que as observações não permitem conclusão definitiva. Mais dados são necessários.

Expansão da busca por vida extraterrestre

Loeb defendeu abertura além das bioassinaturas ou tecnoassinaturas tradicionais. A comunidade SETI concentrou-se por 65 anos em sinais de rádio, método que ele considera primitivo para civilizações avançadas. O Projeto Galileu explora alternativas, como monitoramento de luzes artificiais no lado noturno de exoplanetas ou detecção de poluição industrial em atmosferas.

Ele citou artigo próprio de uma década atrás que quantificou poluição como assinatura tecnológica. Moléculas produzidas industrialmente, diferentes das criadas por processos naturais, poderiam indicar atividade inteligente. Outra linha envolve busca por megaestruturas em regiões habitáveis de estrelas.

Loeb criticou o investimento massivo em observatórios para bioassinaturas moleculares, que processos geológicos também geram. Assinaturas tecnológicas poderiam revelar inteligência de forma mais direta. Ele mencionou que quase nenhum financiamento federal vai para busca por tecnologia, o que considera desequilibrado.

Ferramentas e avanços necessários

Avanços dependem da assinatura buscada. Para objetos interestelares, telescópios de levantamento como o Observatório Rubin no Chile e o planejado Argus no hemisfério norte são essenciais para cobrir todo o céu e descobrir dezenas de novos objetos na próxima década.

Para imagens de alta resolução, Loeb propôs interferômetro óptico na Lua com pelo menos 100 metros de diâmetro. Isso permitiria fotografar objetos distantes sem sobrevoo próximo. Missões interceptadoras também seriam úteis para coletar dados detalhados ou mitigar riscos caso um objeto se aproxime da Terra.

Outra proposta envolve estudar materiais de objetos interestelares que chegam ao sistema solar. Essa abordagem difere da tradicional em astrobiologia, que foca em atmosferas de exoplanetas. Fragmentos vindos de outras estrelas poderiam conter pistas sobre ingredientes da vida em discos planetários distantes.

Loeb lidera expedições para recuperar tais materiais. Ele mencionou identificação de outro meteoro interestelar candidato de 2022, com plano de expedição à costa do Peru que demandaria cerca de seis milhões de dólares em financiamento.

Detalhes da expedição ao Oceano Pacífico

Em junho de 2023, Loeb comandou expedição ao Pacífico para recuperar restos do meteoro interestelar IM1, que explodiu em 2014. A equipe coletou centenas de esferas fundidas do fundo do oceano. Análises iniciais revelaram que cerca de 10% das gotículas tinham composição química distinta da do sistema solar, com aumentos de até mil vezes em elementos como berílio, lantânio e urânio.

Estudos posteriores de isótopos reforçaram as diferenças. Os fragmentos recuperados eram pequenos, menores que um milímetro, o que impede determinar se o objeto original era uma rocha ou algo mais complexo. Um documentário da Netflix sobre a expedição está previsto para lançamento. Loeb classificou parte das esferas como BeLaU, com padrão elementar sem equivalente conhecido em materiais do sistema solar.

Financiamento, independência e relações com instituições

O Projeto Galileu recebe recursos de fundações e doadores privados, incluindo doação recente da Fundação Templeton. Um observatório foi instalado no topo da Sphere em Las Vegas. Não há financiamento de agências federais no momento, o que preserva independência na definição de prioridades.

Loeb expressou disposição em colaborar com o Pentágono e agências de inteligência, fornecendo dados sobre objetos de origem humana em troca de acesso a informações anômalas. Ele comentou sobre prazo para liberação de vídeos de fenômenos anômalos não identificados, solicitado pela deputada Anna Paulina Luna.

Sobre segurança nacional, ele considera objetos fabricados por nações terrestres desinteressantes para sua pesquisa. O foco permanece em fenômenos que não se explicam por tecnologia conhecida.

Limitações de depoimentos e necessidade de dados concretos

Loeb enfatizou que a ciência depende de evidências coletadas por instrumentos, não apenas relatos humanos. Ele citou casos do sistema judiciário onde testemunhos sinceros foram contestados por testes de DNA. Ilusões perceptivas e agendas pessoais podem distorcer relatos.

Depoimentos em audiências sobre UAPs são intrigantes, mas insuficientes sem dados instrumentais ou materiais analisáveis em laboratório. Uma única evidência clara bastaria para avançar a discussão. Loeb pediu acesso a dados do governo, incluindo vídeos ou fragmentos de locais de queda.

Reações possíveis a uma descoberta e divulgação

Sobre impacto de uma descoberta confirmada, Loeb defendeu compartilhamento aberto com a humanidade. Sigilo gradual poderia ser motivado por preocupações com mercados ou agitação social, mas ele comparou a situação a esconder uma bola de tênis no quintal: não faz sentido se o fenômeno afeta a todos.

Governamentos baseiam autoridade na capacidade de proteger cidadãos. Tecnologia avançada desconhecida poderia desafiar essa percepção. Loeb argumentou que conhecer a realidade permite adaptação, similar ao que ocorre com disrupções como a inteligência artificial. Esconder fatos prejudica planejamento de carreiras e respostas sociais.

Ele mencionou que até cientistas e empresários às vezes recorrem a pensamento mágico, citando o caso de Steve Jobs e o atraso no tratamento médico.

Críticas da comunidade científica e defesa da curiosidade

Loeb comparou cosmólogos a jogadores de xadrez, abertos a ideias testáveis, e astrônomos de objetos próximos a lutadores mais resistentes a novidades. Ele prefere evitar confrontos pessoais e focar em trabalho positivo.

Criticou desinformação em redes sociais, incluindo vídeos falsos gerados por IA com sua imagem e voz. Criou canal próprio no YouTube para combater isso. Atacantes muitas vezes carecem de credenciais científicas recentes.

Loeb aconselhou os estudantes a manterem curiosidade infantil e ignorarem quem finge ter todas as respostas. Avanços ocorrem ao questionar o convencional com novos dados. Ele planeja continuar o trabalho e espera apresentar evidências interessantes dentro de um ano.

  • O Projeto Galileu opera múltiplos observatórios para medir distâncias, velocidades e acelerações de objetos no céu.
  • Análises das esferas do Pacífico mostraram composição com elementos em abundâncias atípicas do sistema solar.
  • A Escala de Classificação Loeb avalia objetos interestelares de 0 a 10 com base em anomalias.
  • Expedições futuras buscam materiais de outros candidatos a meteoros interestelares.
  • Ênfase recai na coleta de imagens de alta resolução e amostras físicas para reduzir incertezas.
  • Monitoramento do céu completo é considerado essencial com telescópios nos dois hemisférios.
  • Colaboração com doadores privados permite flexibilidade na pesquisa sem restrições governamentais.
  • Abordagem aberta inclui busca por luzes artificiais e poluição em exoplanetas.
  • Críticas pessoais são vistas como menos produtivas que a construção de novos dados.

Reflexões sobre cultura pop e representações de extraterrestres

Loeb mencionou desconforto com ficção científica que viola leis da física. Ele modelou uma escultura de alienígena imaginário com terceiro olho, asas, terceira perna e componentes tecnológicos, diferente de figuras humanoides comuns em filmes.

Corpos biológicos enfrentam desafios em viagens interestelares longas, como perda de massa óssea em baixa gravidade e exposição a radiação. Robôs com inteligência artificial seriam mais práticos para tais missões.

Luzes fortes em relatos de OVNIs exigem análise caso a caso, com dados de distância para inferir velocidade real. Sem informações precisas, é difícil distinguir fenômenos naturais de outros.

Relatos de objetos transitando entre água e ar merecem atenção, pois oceanos permanecem pouco explorados comparados à superfície lunar.

A sessão ocorreu em 13 de abril de 2026. Loeb respondeu com detalhes sobre sua trajetória, métodos, casos específicos e visão para o futuro da pesquisa. Ele reforçou que o progresso depende de dados, curiosidade e disposição para questionar suposições estabelecidas.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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