Duas erupções de classe X do Sol causam apagões de rádio em regiões do Pacífico e Ásia

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Erupção Solar Foto: Erupção Solar - Artsiom P/shutterstock.com

O Sol emitiu duas erupções solares de classe X com apenas sete horas de intervalo. A primeira atingiu o pico às 01h07 UTC do dia 24 de abril. A segunda ocorreu por volta das 08h13 UTC do mesmo dia. Ambas partiram da região ativa de manchas solares AR4419. Os eventos provocaram breves interrupções em comunicações de rádio de alta frequência no lado diurno do planeta.

A primeira erupção registrou intensidade X2.4. Ela afetou principalmente áreas sobre o mar das Filipinas e o sul do Japão. A segunda, de X2.5, impactou o Oceano Índico, incluindo a região próxima à ilha de Socotra. Os apagões duraram poucos minutos, mas foram classificados como R3, ou seja, fortes na escala da NOAA.

Região AR4419 concentra a atividade recente

A mancha solar AR4419 fica próxima ao limbo oeste do Sol. Por isso, tende a desaparecer da vista da Terra nos próximos dias. Antes das erupções X, a região já havia produzido várias erupções de classe M ao longo do dia 23 de abril. Uma delas atingiu M4.9.

Esses eventos precederam as duas explosões mais intensas. A AR4419 ganhou complexidade magnética beta-gama-delta. Essa configuração favorece liberações energéticas maiores. Observadores notaram também uma erupção simpática em regiões separadas do Sol no dia anterior.

  • A primeira X2.4 começou por volta de 00h51 UTC e durou cerca de 22 minutos.
  • A segunda X2.5 iniciou às 08h01 UTC e terminou às 08h18 UTC.
  • Ambas geraram emissões de rádio tipo II, sinal de ondas de choque.
  • Imagens do satélite GOES-19 capturaram os clarões intensos.

Os dados vêm de monitoramento em tempo real da NOAA. A região ainda pode produzir mais atividade antes de rotacionar para o lado oculto.

erupção solar Sol
erupção solar Sol – Gergitek

Apagões de rádio atingem comunicações de alta frequência

A radiação das erupções ionizou a camada inferior da ionosfera. Isso afetou ondas de rádio entre 3 e 30 MHz. Sinais de longa distância enfraqueceram ou desapareceram temporariamente nas áreas iluminadas pelo Sol no momento dos picos.

O primeiro evento concentrou interrupções sobre o Pacífico e partes da Austrália. O segundo impactou o leste asiático com maior intensidade. Operadores de rádio amador e serviços de aviação relataram breves perdas de contato em faixas de HF.

A NOAA usa o produto D-RAP para mapear esses apagões. Os gráficos mostraram absorção forte na camada D da ionosfera. Recuperação ocorreu minutos após o declínio da radiação X.

Ejeções de massa coronal podem acompanhar os eventos

Análises iniciais indicam que as erupções produziram ejeções de massa coronal. Como a AR4419 está na borda oeste, as trajetórias apontam principalmente para longe da Terra. Modelos ainda avaliam possível impacto oblíquo.

Se houver chegada de material solar, condições de tempestade geomagnética moderada podem surgir. Auroras boreais ficariam limitadas a latitudes altas. Até o momento, não há previsão de efeitos diretos fortes no campo magnético terrestre.

Meteorologistas espaciais continuam o rastreamento com dados de coronógrafos. Qualquer atualização sobre direção das CMEs sai nas próximas horas.

Como funcionam as erupções solares de classe X

Erupções solares liberam pulsos intensos de radiação eletromagnética. Elas são medidas pela emissão de raios X na faixa de 0,1 a 0,8 nanômetros. A classe X representa o nível mais alto da escala, com cada letra indicando dez vezes mais intensidade.

A radiação viaja à velocidade da luz e chega à Terra em cerca de oito minutos. Ao atingir a ionosfera, aumenta a densidade de partículas carregadas. Ondas de rádio de alta frequência, que dependem de reflexão nessas camadas, sofrem absorção.

Eventos como esses são comuns no pico do ciclo solar 25. A atividade geral do Sol tem aumentado nos últimos meses. Regiões ativas como a AR4419 contribuem para picos momentâneos.

Monitoramento segue em curso pela rede internacional

Satélites como o GOES-19 da NOAA fornecem dados em tempo real. Imagens ultravioleta mostram os clarões e as estruturas das manchas. Outros observatórios complementam com análises de campo magnético.

Especialistas acompanham a evolução da AR4419 e de outras regiões próximas, como AR4420 e AR4421. Algumas já geraram erupções menores no período. O Sol deve manter nível moderado a alto de atividade nos próximos dias.

Os dados confirmados em múltiplas fontes indicam que os dois eventos X foram os mais fortes em um intervalo curto recente. Não há registro de danos a satélites ou infraestrutura terrestre até agora.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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