Após a ocorrência de um forte terremoto em 2002, cientistas voltaram suas atenções para a região do Alasca. O evento sísmico impulsionou sismólogos a investigar a presença de uma formação colossal abaixo de uma cordilheira local, o que acabou por validar antigas suposições sobre a história geológica da área.
No dia 3 de novembro de 2002, o Alasca foi palco de um abalo sísmico de grande proporção. Os efeitos do tremor foram sentidos a uma distância de até 2.300 quilômetros do epicentro, demonstrando a intensidade do fenômeno.
Este terremoto, que alcançou 7,9 na escala de magnitude de momento, representou o mais potente evento do tipo na América do Norte em um período de 150 anos.
A violência dos abalos foi tamanha que gerou ondulações no Lago Union, localizado em Seattle, a uma distância considerável do epicentro. Como consequência, no mínimo vinte casas flutuantes foram deslocadas de suas fixações, e vários de seus ancoradouros sofreram danos.
Recentemente, pesquisadores reanalisaram os dados do terremoto de 2002 e, a partir dessa revisão, detectaram indícios de uma estrutura imensa oculta sob o território do Alasca.
Uma equipe científica, encabeçada pela Universidade Nacional da Austrália, conduziu uma nova avaliação dos registros sísmicos da região. Essa investigação desvendou a existência de um limite subterrâneo incrivelmente nítido e até então desconhecido.
Especificamente, os cientistas notaram uma sequência linear composta por milhares de pequenos tremores. A união desses eventos sísmicos traça o formato da estrutura geológica conhecida como placa submersa de Yakutat.
Essa placa corresponde a uma camada espessa da crosta oceânica situada ao sul do Alasca. Ela se encontra em um processo gradual de subducção, sendo empurrada por baixo da placa continental norte-americana.
A descoberta confirma antigas teorias sobre a região
Essa revelação concede aos estudiosos uma perspectiva singular sobre a configuração tectônica que esteve na origem do intenso terremoto de Denali, ocorrido em 2002. Entender essa estrutura é crucial para prever futuros eventos sísmicos.
Para a análise, sismólogos empregaram técnicas avançadas de aprendizado de máquina. Eles processaram informações coletadas de diversas estações de monitoramento espalhadas pela Cordilheira do Alasca.
Ao invés de uma distribuição sem forma definida, os dados revelaram uma linha notavelmente precisa. Esta linha era formada por uma série de pequenos tremores, com extensão total de 250 quilômetros, que se projetava da direção noroeste para a sudeste.
Essa formação demarca a fronteira exata da Placa de Yakutat, que está em processo de deslizamento sob a Placa Norte-Americana. Os estudos indicam que ela se estende por uma área maior sob a Falha de Denali do que se imaginava.
A região em questão representa um ponto de colisão de três grandes massas terrestres: as placas de Yakutat, Norte-Americana e do Pacífico. Essa é uma interseção tectônica complexa, considerada um fator potencial para o terremoto de Denali.
O detalhado mapeamento da borda da placa oferece, adicionalmente, novas compreensões sobre a atividade vulcânica da área. Este achado, em particular, valida uma teoria que vinha sendo discutida há bastante tempo na comunidade científica.
De acordo com as conclusões dos pesquisadores, a existência de campos vulcânicos mais recentes nas porções sul e central do Alasca pode ser explicada pela reconstituição de uma estrutura conhecida como cunha do manto. Esta é uma área de magma em fusão onde material quente é impulsionado para a superfície, processo que se iniciou há aproximadamente um milhão de anos.
