Cometa interestelar 3I/Atlas intriga cientistas com teorias de origem extraterrestre e respostas da Nasa

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Cometa 3I ATLAS Foto: Cometa 3I ATLAS - Youtube/Nasa

O cometa 3I/Atlas, detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio Atlas no Chile, entrou no Sistema Solar como o terceiro objeto interestelar conhecido. Astrônomos da Nasa e de instituições como a Universidade da Califórnia em Los Angeles monitoram sua trajetória desde então. A agência espacial americana, por meio do administrador interino Sean Duffy, descartou qualquer risco à Terra em resposta a questionamentos públicos.

A passagem mais próxima do cometa ocorrerá em 19 de dezembro de 2025, a 270 milhões de quilômetros do planeta. Essa distância, equivalente a cerca de 700 vezes a distância entre a Terra e a Lua, elimina preocupações com colisões. Cientistas enfatizam que o objeto segue padrões observados em cometas comuns, apesar de suas peculiaridades.

O interesse público cresceu após celebridades e podcasters levantarem hipóteses sobre origens não naturais. Duffy esclareceu em rede social que não há indícios de alienígenas ou ameaças. Observações do Telescópio Espacial Hubble confirmam composição de gelo, poeira e gases típicos.

Características observadas no 3I/Atlas

Telescópios terrestres e espaciais registraram o cometa com diâmetro estimado entre 1 e 5,6 quilômetros. Sua nuvem de poeira e gás apareceu cedo, a mais de 600 milhões de quilômetros do Sol, diferentemente de cometas inativos nessa fase.

A composição química inclui altos níveis de dióxido de carbono e níquel, além de monóxido de carbono e água. Durante a aproximação solar em outubro de 2025, o objeto aumentou o brilho e mudou para tons azul-esverdeados, fenômeno ligado à liberação de moléculas.

Essas traits alimentam debates, mas astrônomos como David Jewitt afirmam que se alinham com objetos interestelares. A velocidade de 209 mil km/h e a órbita retrógrada indicam origem externa, sem sinais de propulsão artificial.

  • Diâmetro: 1 a 5,6 km;
  • Composição: gelo, poeira, CO2 elevado;
  • Velocidade: 209 mil km/h;
  • Distância mínima à Terra: 270 milhões de km em 19/12/2025.
Cometa 3I - Atlas
Cometa 3I – Atlas – Foto: NAsa

Hipóteses de origem artificial

Avi Loeb, astrofísico de Harvard, publicou análises sugerindo 30% a 40% de chance de origem tecnológica. Ele aponta jatos de gás como possíveis propulsores e a trajetória no plano orbital dos planetas como intencional.

Loeb comparou o 3I/Atlas ao Oumuamua, de 2017, e ao Borisov, de 2019, destacando diferenças em tamanho e comportamento. O objeto atual, com massa acima de 50 bilhões de toneladas, supera os anteriores em escala.

Outros pesquisadores veem coincidências, não evidências. Andrew Siemion, do Breakthrough Listen, nota que objetos de outros sistemas estelares naturalmente variam. Observações adicionais do James Webb estão programadas para novembro.

A discussão ganhou tração em podcasts e redes, mas a Nasa reforça foco em dados científicos.

Monitoramento pela Nasa e Esa

A agência americana coordena observações com o sistema de defesa planetária, sem ativar protocolos de emergência. A sonda Juice, da Agência Espacial Europeia, analisará o cometa entre 2 e 25 de novembro de 2025, usando instrumentos para mapear composição.

Essas missões visam reconstruir a trajetória passada, incluindo encontros com estrelas nos últimos 10 milhões de anos. Dados do telescópio Gaia identificaram 93 interações próximas, mas nenhuma origem clara.

Astrônomos do Observatório Nacional no Brasil contribuem com rastreamento terrestre. O cometa permanecerá visível até setembro de 2025, reaparecendo em dezembro para estudos finais.

Jewitt estima que o 3I/Atlas se desintegrará parcialmente após o periélio, liberando mais dados sobre sua estrutura.

Trajetória e comparações históricas

O 3I/Atlas viaja quase no plano das órbitas planetárias, inclinado 60 graus em relação à Via Láctea. Essa alinhamento, segundo Loeb, sugere design, mas especialistas atribuem a probabilidade estatística em galáxias densas.

Comparado ao Oumuamua, que acelerou sem explicação clara, o atual exibe cauda proeminente de poeira. O Borisov, por sua vez, mostrou cometa clássico com núcleo gelado e brilho intenso.

Estudos indicam que interestelares como esses formam-se em sistemas remotos e vagam bilhões de anos. A Nasa estima milhões de similares no espaço próximo, cruzando o Sistema Solar anualmente.

Controvérsias em torno das especulações

Loeb apareceu em programas de TV e podcasts desde julho, questionando se o cometa disfarça uma sonda. Ele estima risco de “evento cisne negro” imprevisível, mas admite ausência de cálculos estatísticos precisos.

Dan Fagin, especialista em comunicação científica, defende discutir probabilidades baixas para fomentar curiosidade. No entanto, ele alerta contra interpretações sem dados robustos, que contaminam o debate público.

Imagens do telescópio Gemini North no Havaí capturaram o cometa em julho, através de filtros vermelho, verde e azul. Elas reforçam aparência natural, sem estruturas artificiais.

A comunidade científica prioriza observações imparciais, com telescópios como o Hubble planejando sessões em dezembro.

Observações futuras e visibilidade

O James Webb capturará espectros detalhados em novembro, analisando isótopos para traçar a origem estelar. Essas medições ajudarão a refinar modelos de formação interestelar.

Para observadores amadores, o cometa aparece próximo a Vênus nas madrugadas de dezembro, visível a olho nu em condições ideais. Aplicativos de astronomia guiam o rastreamento.

A Nasa publica atualizações regulares em seu portal, enfatizando o valor educacional do evento. Especialistas preveem que o 3I/Atlas contribuirá para entender a dinâmica galáctica.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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