O satélite europeu-americano Sentinel-6B foi lançado com sucesso nesta quarta-feira (19) a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos. O equipamento integra a missão Copernicus Sentinel-6 e tem como objetivo principal dar continuidade à série de medições contínuas do nível do mar iniciada há mais de 30 anos.
A nova unidade vai operar em conjunto com o Sentinel-6A, lançado em 2020, formando um par que garante precisão centimétrica nas observações oceânicas até pelo menos 2030. Os dados coletados serão usados em previsões meteorológicas, segurança marítima e estudos sobre mudanças climáticas.
Parceria internacional mantém série histórica
O projeto Sentinel-6B resulta da colaboração entre a Agência Espacial Europeia (ESA), a Comissão Europeia, a NASA, a NOAA (agência norte-americana de oceanos e atmosfera), a Eumetsat e o CNES francês.
O foguete Falcon 9, da SpaceX, colocou o satélite em órbita polar a cerca de 1.336 km de altitude apenas 58 minutos após a decolagem.
Precisão mantém padrão de três décadas
Os instrumentos do Sentinel-6B repetem a tecnologia dos antecessores Jason e garantem continuidade das medições iniciadas em 1992.
- Altímetro Poseidon-4 mede a distância até a superfície do mar com precisão de poucos centímetros
- Radiômetro de micro-ondas avançado corrige erros causados pela umidade atmosférica
- Sistema DORIS e receptor GNSS permitem posicionamento orbital exato
Esses equipamentos cobrem aproximadamente 90% da superfície oceânica mundial.
Aplicações diretas no dia a dia
As informações geradas pelo satélite alimentam modelos de previsão de tempestades, rotas marítimas e alertas de inundação costeira.
Os dados também ajudam governos e organizações a planejar adaptações à elevação do nível do mar prevista para as próximas décadas.
A validação dos instrumentos deve durar cerca de seis meses, período em que o Sentinel-6B será calibrado em relação ao Sentinel-6A.
Calendário operacional definido
A fase de comissionamento começa imediatamente após a separação do foguete.
Os primeiros dados científicos estão previstos para o segundo semestre de 2026.
A partir daí, o satélite passará a fornecer medições operacionais em tempo quase real para centros meteorológicos e oceanográficos em todo o mundo.
Importância da dupla de satélites
Manter dois satélites idênticos em órbita permite cruzamento de dados e aumenta a confiabilidade das observações.
Essa configuração já é usada com sucesso pelo Sentinel-6A e será mantida até o final da década.
A missão completa está projetada para operar por pelo menos sete anos e meio, com possibilidade de extensão.
Dados abertos e gratuitos
Todas as informações coletadas pelo Sentinel-6B serão disponibilizadas gratuitamente pelo programa Copernicus.
Pesquisadores, empresas de navegação e agências governamentais terão acesso irrestrito aos produtos de nível do mar, altura das ondas e velocidade do vento sobre o oceano.
A política de dados abertos segue o padrão adotado em todas as missões Sentinel da União Europeia.
