O Telescópio Espacial James Webb identificou uma estrutura inédita na atmosfera do exoplaneta WASP-121 b, localizado a cerca de 880 anos-luz da Terra.
Astrônomos observaram duas caudas massivas de hélio escapando do planeta, estendendo-se por mais da metade de sua órbita ao redor da estrela hospedeira.
A descoberta ocorreu durante monitoramento contínuo de quase 37 horas, cobrindo mais de uma órbita completa do planeta.
- O exoplaneta classifica-se como um Júpiter ultra-quente.
- Seu período orbital dura apenas 30 horas.
- A proximidade com a estrela aquece sua atmosfera a milhares de graus, facilitando a perda de gases leves.
Características do exoplaneta WASP-121 b
WASP-121 b possui diâmetro aproximadamente 1,8 vezes maior que o de Júpiter.
Ele orbita uma estrela na constelação de Puppis, a uma distância equivalente a cerca de 2,6% da separação entre Terra e Sol.
O planeta encontra-se travado tidalmente, com um lado sempre voltado para a estrela, o que gera temperaturas extremas no hemisfério diurno.
Essas condições favorecem a expansão e escape de elementos leves como hélio e hidrogênio.
流出した大気が形成する“二重の尾” 太陽系外惑星WASP-121 bをウェッブ宇宙望遠鏡が観測https://t.co/H0kiBEWY6W
— sorae 宇宙へのポータルサイト (@sorae_jp) December 15, 2025
こちらは、最新の研究成果にもとづいた「WASP-121 b」の想像図。巨大ガス惑星の前後に帯状の雲のような尾が形成され、恒星を取り囲むように広がっている様子が描かれています pic.twitter.com/J6oBs8dWPb
Detalhes da observação com o JWST
Pesquisadores utilizaram o instrumento NIRISS, de contribuição canadense, para captar a assinatura do hélio no infravermelho.
A observação contínua revelou que o escape atmosférico persiste por cerca de 60% da órbita.
As caudas de hélio estendem-se por distâncias superiores a 100 vezes o diâmetro do planeta.
Modelos 3D indicam que uma cauda lidera o movimento orbital, atraída pela gravidade estelar, enquanto a outra segue atrás, impulsionada por vento estelar e radiação.
Formação das caudas duplas
A cauda frontal forma-se pela atração gravitacional da estrela, puxando o material escapado para dentro.
A cauda traseira resulta da pressão de radiação e ventos estelares, empurrando o hélio para fora.
Essa configuração dupla desafia modelos atuais de escape atmosférico, que preveem geralmente uma única cauda cometária.
A estrutura observada abrange quase 60% da órbita, representando a detecção mais extensa já registrada.
Implicações para a evolução planetária
O escape atmosférico contínuo pode alterar significativamente o tamanho e composição de planetas gasosos ao longo do tempo.
Em casos extremos, gigantes gasosos reduzem-se a tamanhos semelhantes a Netuno ou perdem toda a atmosfera, deixando apenas núcleos rochosos.
WASP-121 b serve como laboratório para estudar esses processos em tempo real.
Observações futuras com o JWST ajudarão a determinar se estruturas duplas ocorrem em outros exoplanetas semelhantes.
Instrumento e equipe de pesquisa
O NIRISS permitiu a detecção precisa do hélio metastável em distâncias interestelares.
A equipe internacional incluiu astrônomos do Instituto Trottier de Pesquisa em Exoplanetas da Universidade de Montreal e do Departamento de Astronomia da Universidade de Genebra.
Os resultados, publicados na Nature Communications, destacam a complexidade das atmosferas em Júpiteres ultra-quentes.
Pesquisas adicionais explorarão o papel de radiação e ventos estelares na modelagem de atmosferas planetárias distantes.
Modelos teóricos e desafios
Simulações computacionais existentes explicam caudas simples, mas não reproduzem a dupla estrutura observada.
A descoberta indica a necessidade de novos modelos tridimensionais que incorporem interações gravitacionais e dinâmicas de vento.
O fenômeno pode contribuir para entender raridades como o “deserto de Netunos quentes”, onde planetas intermediários são escassos.
Estudos em outros sistemas testarão se a configuração dupla representa caso isolado ou padrão comum.
O processo de perda atmosférica observado em WASP-121 b ocorre de forma persistente e em larga escala.
Essa fuga molda a evolução de exoplanetas próximos a suas estrelas.
A detecção contínua fornece dados valiosos para refinar teorias de formação e transformação planetária.
Avanços no JWST permitem observações mais detalhadas de fenômenos distantes anteriormente inacessíveis.
