A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu aprovação ao Leqembi (lecanemabe), medicamento desenvolvido pela Biogen e pela Eisai. O registro permite o uso do fármaco no tratamento de pacientes adultos com doença de Alzheimer em estágios iniciais.
O anticorpo monoclonal atua diretamente na remoção de placas beta-amiloides no cérebro. Estudos clínicos demonstraram redução de 27% no ritmo de declínio cognitivo em 18 meses de uso.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no final de dezembro de 2025. O Leqembi se torna o segundo medicamento dessa classe disponível no país, após o Kisunla.
Mecanismo de ação do medicamento
O Leqembi se liga às proteínas beta-amiloides solúveis e fibrilares que formam placas no cérebro dos pacientes. Essa ligação facilita a remoção dessas estruturas pelos mecanismos naturais do organismo.
O tratamento interfere na progressão da doença ao reduzir o acúmulo de placas que comprometem a comunicação entre neurônios. Pesquisas indicam que a ação precoce pode preservar funções cognitivas por mais tempo em casos leves.
Indicações precisas de uso
O medicamento é indicado exclusivamente para adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer. A confirmação de placas amiloides por meio de exames de imagem ou punção lombar é obrigatória antes do início do tratamento.
Pacientes precisam passar por avaliação genética para identificar a presença da mutação APOE-e4. Portadores dessa variante apresentam maior risco de complicações e geralmente não recebem a indicação.
A administração ocorre por infusão intravenosa a cada duas semanas. Cada sessão dura cerca de uma hora e exige acompanhamento em ambiente hospitalar especializado.
Principais riscos envolvidos
O uso do Leqembi pode provocar reações relacionadas à infusão, como náuseas ou febre. Essas ocorrências geralmente são leves e controláveis com medicação adequada.
Mais graves são os eventos de edema ou hemorragia cerebral, conhecidos como Aria. Esses efeitos exigem monitoramento constante com ressonâncias magnéticas periódicas durante o tratamento.
- Edema cerebral em diferentes graus de intensidade
- Hemorragias microscópicas ou macroscópicas
- Dores de cabeça persistentes
- Reações alérgicas durante a aplicação
Profissionais de saúde interrompem o tratamento em casos de complicações significativas. A triagem inicial ajuda a minimizar exposições desnecessárias a riscos.
Comparação com tratamento anterior
O Kisunla (donanemabe), aprovado em abril de 2025, também remove placas amiloides e demonstrou redução de até 35% no declínio cognitivo em alguns grupos. A diferença principal está na frequência de administração e no perfil de eficácia observado.
Ambos os medicamentos representam a primeira geração de tratamentos que modificam a progressão da doença. Antes deles, as opções disponíveis apenas aliviavam sintomas sem atuar na causa subjacente.
O Leqembi exige aplicações contínuas a cada 14 dias. O Kisunla permite intervalos maiores após a fase inicial de limpeza das placas.
Disponibilidade prática no país
O Leqembi ainda não tem data definida para chegada às farmácias brasileiras. A comercialização depende de negociações entre fabricantes e distribuidores locais.
O custo elevado impede a incorporação imediata ao Sistema Único de Saúde. Pacientes dependem de planos privados ou pagamento particular para acessar o tratamento.
Nos Estados Unidos, o valor anual gira em torno de 26,5 mil dólares. No Brasil, o Kisunla já é comercializado com preços mensais superiores a 20 mil reais em alguns casos.
Contexto epidemiológico da doença
A doença de Alzheimer atinge mais de 1,5 milhão de pessoas no Brasil, segundo estimativas de associações especializadas. O envelhecimento populacional aumenta a incidência ano após ano em todas as regiões.
O diagnóstico precoce ganha importância com a chegada de tratamentos modificadores. Exames de biomarcadores e testes cognitivos permitem identificar casos antes da demência instalada.
Especialistas reforçam a necessidade de centros qualificados para administração e monitoramento. A infraestrutura atual ainda é limitada em diversas capitais e regiões interiores.
Avanços recentes em pesquisas
Estudos internacionais continuam avaliando combinações de anticorpos monoclonais com outras terapias. Resultados preliminares sugerem benefícios adicionais em pacientes selecionados.
No Brasil, centros de referência participam de ensaios clínicos que testam novas moléculas. Essas iniciativas ampliam o conhecimento sobre a resposta da população local aos tratamentos.
A aprovação consecutiva de dois medicamentos em menos de um ano demonstra aceleração regulatória. A Anvisa adotou critérios rigorosos baseados em evidências globais consolidadas.
O desenvolvimento de opções orais e subcutâneas está em fases avançadas. Essas alternativas podem facilitar o acesso e reduzir custos operacionais no futuro próximo.
A comunidade científica celebra os avanços, mas mantém cautela quanto às expectativas. Os medicamentos atuais retardam a progressão sem reverter danos já estabelecidos no cérebro.
