Dados geológicos recentes rejeitam teoria de geleiras e fortalecem transporte humano das rochas de Stonehenge

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Stonehenge Foto: Stonehenge - scimmery/Shutterstock.com

Uma pesquisa recente analisou grãos minerais em sedimentos de rios próximos ao monumento de Stonehenge, localizado na Planície de Salisbury, no sul da Inglaterra. Os resultados indicam que não há evidências de transporte glacial das pedras conhecidas como bluestones e da Altar Stone durante a última Era do Gelo. Em vez disso, os dados apontam para deslocamento intencional realizado por comunidades humanas há aproximadamente 5 mil anos.

O monumento neolítico foi construído em etapas entre 3000 a.C. e 2000 a.C. e inclui megálitos originários de regiões distantes, como as colinas Preseli, no País de Gales, e áreas do nordeste da Escócia. A técnica aplicada examinou centenas de grãos de zircão e apatita para identificar assinaturas geológicas específicas.

Os pesquisadores coletaram amostras em múltiplos pontos fluviais ao redor do sítio arqueológico. Essa abordagem permitiu comparar as idades e composições minerais com as fontes conhecidas das rochas do monumento.

Método de impressão digital mineral

A técnica de impressão digital mineral envolve datação e análise química de grãos detritais microscópicos. Esses minerais preservam informações sobre sua origem desde a formação, ocorrida há milhões ou bilhões de anos.

A ausência de assinaturas compatíveis com as regiões de origem das bluestones e da Altar Stone reforça a conclusão do estudo. Caso geleiras tivessem depositado os megálitos, partículas correspondentes apareceriam nos sedimentos locais examinados.

Os grãos analisados apresentam idades consistentes com rochas da Inglaterra meridional. Essa distribuição exclui contribuição significativa de áreas distantes transportadas por gelo.

Contexto do debate arqueológico

Há décadas especialistas discutem duas hipóteses principais sobre a chegada das pedras à Planície de Salisbury. Uma teoria defendia depósito natural por geleiras em períodos glaciais anteriores à ocupação humana.

A outra hipótese, agora mais robusta, sustenta esforço deliberado de povos neolíticos para transportar blocos pesados por longas distâncias. Pesquisas anteriores já questionavam a extensão glacial suficiente para alcançar o sul da Inglaterra na última glaciação.

  • Bluestones: origem nas Preseli Hills, País de Gales, a cerca de 230 quilômetros de distância;
  • Altar Stone: procedência identificada no nordeste da Escócia, superior a 700 quilômetros;
  • Sarsens: megálitos maiores de fontes locais, incorporados em fase posterior da construção.

Evidências contra transporte glacial

Exames geológicos não detectam marcas típicas de glaciação extensa na região de Stonehenge, como depósitos erráticos ou sulcos característicos. Os sedimentos fluviais refletem apenas contribuições de fontes próximas ou regionais.

Mais de setecentos grãos foram analisados em amostras de diferentes rios que drenam a área. A uniformidade das idades minerais confirma ausência de material transportado de regiões setentrionais ou ocidentais.

Essa falta de traços glaciais em nível microscópico complementa observações de campo realizadas anteriormente. Estudos recentes sobre a Altar Stone já indicavam necessidade de transporte humano de longa distância.

Os dados acumulados destacam seleção consciente das rochas pelos construtores. A escolha de materiais de locais específicos sugere importância cultural associada às origens geográficas.

stonehenge
stonehenge – Casey R Campbell/Shutterstock.com

Técnicas possíveis de deslocamento

Comunidades neolíticas contavam com tecnologias simples, mas demonstraram organização para empreendimentos coletivos de grande escala. Experimentos arqueológicos testam uso de trenós de madeira sobre rolos ou caminhos preparados no solo.

Rotas combinadas terrestres e fluviais facilitam redução de esforço em trechos extensos. O emprego de vias aquáticas ao longo de rios e costas representa opção logística viável para cargas pesadas.

Cordas feitas de fibras vegetais e alavancas auxiliam sistemas de tração com grupos numerosos de pessoas. Indícios de ocupação em rotas potenciais suportam possibilidade prática dessas operações.

A coordenação necessária envolve mobilização de centenas de indivíduos por períodos prolongados. Monumentos similares em outras partes das ilhas britânicas indicam tradição estabelecida de movimentação de megálitos.

Função cerimonial do monumento

Stonehenge serviu como centro multifuncional para cerimônias ao longo de séculos de utilização contínua. Alinhamentos precisos com eventos solares marcam solstícios e atendem propósitos astronômicos.

Depósitos de enterros cremados encontrados no local apontam para práticas funerárias associadas a rituais comunitários. A concentração de artefatos reforça o papel regional do sítio como ponto de convergência.

A construção em fases sucessivas acompanha evolução cultural durante transição para sociedades agrícolas. Integração de pedras de origens variadas simboliza conexões entre grupos distantes.

Avanços na compreensão neolítica

O transporte deliberado das rochas evidencia capacidade organizacional avançada das populações pré-históricas. Mobilização de recursos humanos em larga escala antecipa desenvolvimentos posteriores na Europa neolítica.

Testes experimentais continuam avaliando viabilidade de técnicas com materiais da época. Resultados confirmam possibilidade prática mediante planejamento e mão de obra coordenada.

Pesquisas geológicas refinam identificação de rotas prováveis de deslocamento. Análises de ferramentas associadas contribuem para reconstrução detalhada das etapas construtivas.

A consolidação da hipótese de transporte humano direciona estudos futuros para aspectos sociais e culturais. Questões sobre motivações simbólicas ganham relevância na interpretação do monumento.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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