O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar, com atendimento em unidades básicas de saúde (UBS) em todo o Brasil. Em 2025, o programa de cessação do tabagismo ganha destaque com ações ampliadas, incluindo acompanhamento médico, terapias em grupo e, quando necessário, uso de medicamentos. A iniciativa, reforçada pelo Ministério da Saúde, visa combater os malefícios do cigarro, responsável por milhões de mortes anualmente. Pessoas como João Almeida, 55 anos, que fumou por três décadas e conseguiu abandonar o vício com apoio de uma UBS em Recife, ilustram o impacto do programa. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, a campanha nacional enfatiza que é possível parar de fumar em qualquer fase da vida.
O tabagismo é uma doença crônica que afeta cerca de 9% dos brasileiros adultos, segundo dados recentes. A dependência da nicotina, aliada às mais de 7 mil substâncias químicas presentes no cigarro, aumenta o risco de doenças como câncer, problemas cardiovasculares e respiratórios. O SUS oferece uma abordagem integrada, com profissionais capacitados para orientar desde a decisão de parar até o acompanhamento contínuo. Para participar, basta procurar a UBS mais próxima e manifestar o desejo de abandonar o cigarro.
- Benefícios do programa: acesso gratuito, suporte psicológico e acompanhamento médico.
- Como acessar: procure uma UBS ou secretaria municipal de saúde.
- Público-alvo: fumantes de todas as idades, incluindo tabagismo passivo.
Acessibilidade do tratamento nas UBS
As unidades básicas de saúde são o principal ponto de acesso ao tratamento contra o tabagismo no SUS. Por sua proximidade com a população, as UBS conseguem atender às necessidades locais, promovendo ações de prevenção e cessação. Em 2025, o Ministério da Saúde ampliou o treinamento de profissionais para abordar o tema de forma mais eficaz. “A UBS é como uma porta de entrada, onde o paciente encontra acolhimento e orientação personalizada”, explica Mariana Costa, coordenadora de saúde preventiva em São Paulo.
O atendimento começa com uma avaliação clínica, na qual o profissional identifica o grau de dependência do paciente. A partir daí, é traçado um plano que pode incluir sessões individuais, grupos de apoio ou até medicamentos, como adesivos de nicotina ou bupropiona, fornecidos gratuitamente pelo SUS. Dados de 2024 mostram que mais de 200 mil pessoas iniciaram o tratamento nas UBS, com taxa de sucesso de cerca de 40% após um ano.
Por que parar de fumar é urgente
O cigarro é uma das principais causas de morte evitáveis no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, sendo 1,3 milhão por exposição ao fumo passivo. No Brasil, o impacto é igualmente alarmante: cerca de 160 mil mortes anuais estão relacionadas ao consumo de tabaco. Além disso, o tabagismo passivo prejudica não fumantes, especialmente crianças e idosos, aumentando o risco de doenças respiratórias.
A decisão de parar de fumar traz benefícios imediatos. Após 24 horas sem cigarro, o risco de infarto começa a diminuir. Em um ano, a chance de doenças cardíacas cai pela metade. “Eu sentia falta de ar e vivia cansado. Depois de três meses sem fumar, minha energia voltou”, conta Ana Ribeiro, 47 anos, que parou de fumar com apoio de uma UBS no Rio de Janeiro.
O papel dos profissionais de saúde
Médicos, enfermeiros e psicólogos das UBS desempenham um papel crucial no sucesso do tratamento. Durante as consultas, eles utilizam técnicas motivacionais para reforçar a decisão do paciente. Além disso, o SUS disponibiliza materiais educativos, como a Linha de Cuidado do Tabagismo, que orienta tanto profissionais quanto pacientes sobre os passos para abandonar o vício.
- Avaliação inicial: identificação do nível de dependência.
- Acompanhamento: sessões regulares para monitorar o progresso.
- Medicamentos: fornecidos gratuitamente, quando indicado.
- Grupos de apoio: espaços para compartilhar experiências.
A abordagem é personalizada, considerando fatores como tempo de uso do cigarro, quantidade consumida e histórico de saúde. Em alguns casos, o tratamento é combinado com atividades físicas ou terapias complementares, como acupuntura, oferecidas em algumas unidades.
Desafios da cessação do tabagismo
Parar de fumar não é uma tarefa simples. A dependência química da nicotina, somada a fatores psicológicos e sociais, pode dificultar o processo. Muitos fumantes relatam recaídas, especialmente nos primeiros meses. “A vontade de fumar vinha forte nos momentos de estresse, mas o grupo de apoio me ajudou a resistir”, diz Carlos Mendes, 39 anos, que participa do programa em Belo Horizonte.
Para minimizar as recaídas, o SUS investe em estratégias de acompanhamento contínuo. As UBS oferecem consultas regulares e, em algumas regiões, linhas telefônicas para suporte em momentos de crise. Em 2025, o Ministério da Saúde planeja integrar tecnologias, como aplicativos de apoio, para reforçar o engajamento dos pacientes.
Riscos dos cigarros eletrônicos
O uso de dispositivos eletrônicos para fumar, como os cigarros eletrônicos, tem crescido no Brasil, especialmente entre jovens. Apesar de serem promovidos como alternativa “menos prejudicial”, esses dispositivos contêm nicotina e substâncias químicas associadas a doenças graves. A OMS alerta que os cigarros eletrônicos não são recomendados como ferramenta para parar de fumar.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a proibição da comercialização desses produtos desde 2009, mas o mercado clandestino continua ativo. “Os cigarros eletrônicos podem perpetuar a dependência e trazer novos riscos”, afirma o pneumologista Ricardo Santos, de Curitiba. O SUS reforça a importância de buscar tratamentos validados, como os oferecidos nas UBS.
Benefícios a longo prazo
Abandonar o cigarro transforma a qualidade de vida. Além de reduzir o risco de doenças crônicas, parar de fumar melhora a respiração, a circulação sanguínea e até o olfato e paladar. Estudos mostram que, após 10 anos sem fumar, o risco de câncer de pulmão é semelhante ao de um não fumante.
Pacientes que concluem o tratamento relatam mudanças significativas. “Eu economizei dinheiro e ganhei saúde. Hoje, consigo brincar com meus netos sem cansar”, celebra Maria Oliveira, 62 anos, que parou de fumar em 2024 com apoio de uma UBS em Salvador. O programa do SUS também ajuda a reduzir os custos com tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco, aliviando o sistema de saúde.
Como participar do programa
Qualquer pessoa que deseje parar de fumar pode buscar o tratamento no SUS. O primeiro passo é procurar a UBS mais próxima de casa ou do trabalho e informar o interesse em abandonar o cigarro. Não é necessário encaminhamento médico, e o atendimento é gratuito.
- Localize uma UBS: acesse o site da prefeitura ou secretaria de saúde.
- Documentos: leve um documento de identificação.
- Primeira consulta: avaliação com um profissional de saúde.
- Acompanhamento: consultas regulares e grupos de apoio.
Algumas regiões oferecem horários flexíveis, incluindo atendimentos à noite, para facilitar o acesso. As secretarias municipais de saúde também disponibilizam informações sobre programas locais e campanhas de conscientização.
Prevenção e educação em saúde
Além do tratamento, o SUS investe em ações preventivas para reduzir o início do tabagismo, especialmente entre jovens. Escolas e comunidades recebem palestras e materiais educativos sobre os malefícios do cigarro. “A prevenção é tão importante quanto o tratamento. Queremos evitar que as novas gerações comecem a fumar”, destaca a coordenadora de saúde pública Fernanda Lima, de Brasília.
Programas como o Saúde na Escola, do Ministério da Saúde, promovem atividades para conscientizar adolescentes sobre os riscos do tabaco e de dispositivos eletrônicos. Em 2025, o governo planeja intensificar essas ações, com foco em regiões onde o índice de fumantes é mais alto.
Números do tabagismo no Brasil
Dados recentes revelam a dimensão do problema no país. Apesar de uma queda no número de fumantes nas últimas décadas, o tabagismo ainda é um desafio de saúde pública. Homens (11%) fumam mais que mulheres (6%), e as regiões Sul e Sudeste concentram os maiores índices de consumo.
A vigilância constante é essencial para monitorar o impacto do tabaco. O inquérito Vigitel, realizado anualmente, mostra que a prevalência de fumantes caiu de 15% em 2006 para 9% em 2024. “Esses números refletem o sucesso de políticas públicas, mas ainda há muito a fazer”, afirma o epidemiologista Paulo Andrade, de São Paulo.
