Brasil registra deflação de 0,32% em agosto de 2026 impulsionada por energia e alimentos
O Brasil experimentou um período de deflação em agosto de 2026, conforme revelado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou uma queda de 0,32% no mês. Essa diminuição nos preços foi majoritariamente influenciada pela redução nos custos da energia elétrica e dos produtos alimentícios, trazendo um certo alívio para o consumidor e para a economia nacional. O resultado marca uma mudança significativa no cenário inflacionário recente.
A variação negativa de 0,32% em agosto representa uma expressiva desaceleração de 0,39 ponto percentual em comparação com o 0,07% positivo observado em julho. No acumulado do ano, o IPCA soma uma alta de 3,11%, enquanto nos últimos 12 meses, o índice se fixou em 4,22%. Esse patamar de 12 meses mostra um recuo em relação aos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores, indicando uma tendência de arrefecimento da pressão inflacionária no país.
Mais sobre o assunto: Brasil registra deflação em agosto com queda de 0,32% no IPCA, impulsionada por energia e transportes

Desempenho geral dos indicadores de preços
O IPCA, considerado o principal termômetro da inflação brasileira, abrange famílias com rendimento monetário de 1 a 40 salários mínimos, independentemente da fonte de renda. O índice de agosto de 2026, de -0,32%, contrasta com a variação de -0,11% registrada em agosto de 2025, sugerindo um cenário econômico distinto. Para o cálculo do indicador mensal, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comparou os preços coletados entre 31 de julho e 31 de agosto de 2026 com os valores praticados de 1º a 30 de julho do mesmo ano.
A pesquisa engloba dez regiões metropolitanas e cidades como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e o Distrito Federal, fornecendo uma visão abrangente do comportamento dos preços no território nacional. Essa metodologia garante que o índice reflita a realidade de consumo de uma parcela significativa da população, tornando-o um dado fundamental para a análise econômica e para a formulação de políticas públicas.
Fatores chave para a deflação: energia e alimentação
A contribuição mais significativa para a deflação de agosto veio do grupo Habitação, que registrou uma queda de 1,87%. Este foi o menor resultado para um mês de agosto desde a implementação do Plano Real. A energia elétrica residencial teve um recuo de 7,63%, gerando um impacto de -0,33 ponto percentual no IPCA. Essa baixa é atribuída principalmente à inclusão do Bônus de Itaipu, creditado nas contas de luz emitidas no mês de referência.
Apesar da manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos, reajustes e reduções pontuais também influenciaram. Concessionárias em São Paulo (reajuste de 8,85% com impacto de -7,42%), Vitória (6,89% com impacto de -3,13%) e São Luís (5,42% com impacto de -8,51%) tiveram suas tarifas atualizadas. Por outro lado, as cidades de Fortaleza e Rio Branco registraram reduções tarifárias de 6,65% (-7,84%) e 5,20% (-5,92%), respectivamente, aliviando o custo para os consumidores locais.
Saiba mais: Conta de luz e gasolina puxam queda de 0,40% do IPCA-15 em agosto, mostra IBGE
O grupo Alimentação e Bebidas também contribuiu para o cenário deflacionário, com variação de -0,34% após uma queda de 0,67% em julho. A alimentação consumida no domicílio foi a principal responsável por esse movimento, recuando 0,61%. Diversos itens básicos apresentaram quedas expressivas nos preços:
- Batata-inglesa: redução de 19,89%
- Cenoura: baixa de 11,22%
- Cebola: queda de 11,07%
- Tomate: recuo de 10,94%
- Ovo de galinha: diminuição de 4,15%
- Café moído: baixa de 1,86%
Em contraste, alguns alimentos apresentaram alta, como o leite longa vida (1,78%), as frutas (0,84%) e as carnes (0,61%), mostrando que a dinâmica de preços não foi uniforme em todos os itens da cesta básica. A alimentação fora do domicílio desacelerou, passando de uma alta de 0,55% em julho para 0,36% em agosto, com lanches e refeições registrando menores aumentos no período.
Transportes e outras categorias em destaque
O setor de Transportes também registrou deflação, com variação de -0,86%, beneficiado principalmente pela acentuada queda nas passagens aéreas, que recuaram 13,17%. Os combustíveis também tiveram um desempenho favorável, com baixa de 0,91%, impulsionada por reduções no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Em contrapartida, o gás veicular teve um aumento de 2,62%, contrastando com a tendência geral de queda nos combustíveis. O custo do táxi subiu 0,62%, influenciado por um reajuste de 8,42% nas tarifas de Belo Horizonte, enquanto o transporte por aplicativo teve uma queda de 4,57%, incorporando resultados de julho não computados anteriormente.
Entre os grupos que apresentaram alta, Despesas Pessoais destacou-se com a maior variação (1,30%) e impacto (0,13 p.p.) no IPCA de agosto. Esse movimento foi majoritariamente impulsionado pelo aumento de 19,59% no preço do cigarro, que sozinho contribuiu com 0,11 p.p. para o índice geral. No segmento de Habitação, além da energia elétrica, o gás encanado registrou alta de 1,74%, devido a reajustes nas tarifas de Curitiba (10,21%) e Rio de Janeiro (1,80%), ambos a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto também teve um pequeno aumento de 0,11%, refletindo o reajuste de 3,55% em Salvador, vigente desde 20 de julho.
No mesmo tema: Preços da indústria brasileira registram queda de 0,83% em julho de 2026, mantendo tendência negativa
Em termos regionais, Curitiba destacou-se com a menor variação do IPCA (-0,64%), resultado da queda acentuada nas passagens aéreas (-15,34%) e na energia elétrica (-7,73%). Já Brasília, com uma variação de -0,02%, apresentou aumentos na gasolina (3,91%) e no cigarro (22,89%), mostrando a heterogeneidade da dinâmica de preços pelo país e como fatores locais podem influenciar os índices.
Cenário do INPC e suas implicações
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que reflete a variação de preços para famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos com chefe assalariado, seguiu a tendência do IPCA e também registrou deflação de 0,32% em agosto. Esse resultado representa uma diminuição de 0,31 ponto percentual em relação a julho, quando o INPC havia sido de -0,01%. No acumulado do ano, o INPC alcança 3,17%, e nos últimos 12 meses, a alta é de 3,98%, um patamar inferior aos 4,10% dos 12 meses imediatamente precedentes. Em agosto de 2025, a taxa havia sido de -0,21%.
Tanto os produtos alimentícios quanto os não alimentícios contribuíram para a deflação do INPC. Os alimentícios saíram de -0,74% em julho para -0,34% em agosto, enquanto os não alimentícios passaram de 0,23% para -0,31% no mesmo período. Regionalmente, Curitiba novamente apresentou a menor variação do INPC (-0,67%), influenciada por quedas na energia elétrica residencial (-7,68%) e no emplacamento e licença (-4,83%). Em Fortaleza, que registrou -0,03%, as altas do cigarro (16,41%) e dos cursos regulares (1,63%) foram os pontos de maior destaque. Esses dados são cruciais para entender o poder de compra das famílias de menor renda no país e a distribuição dos impactos da deflação.
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